Quer viver mais? Tenha filhos

Saúde

Quer viver mais? Tenha filhos

Ciência garante que você pode ganhar até cinco anos extras de vida


Pessoas com filhos geralmente vivem mais do que aquelas que não têm
Pessoas com filhos geralmente vivem mais do que aquelas que não têm - Unsplash/Banco de imagens

Desde a antiguidade a humanidade tenta descobrir o segredo da longevidade com qualidade de vida. Pesquisa "Longevidade: a perspectiva da longevidade e o impacto na sociedade", conduzida pela Zhuo Consultoria e Giacometti Comunicação em diferentes capitais brasileiras mostrou que 39% dos jovens em idade entre 20 anos e 35 anos gostariam de viver entre 76 anos e 85 anos. O estudo aponta que 13% dos entrevistados acreditam que vão viver mais de 90 anos; entre esses , 40% têm conhecimento de que se capricharem poderão viver até os 120 anos, com uma significativa qualidade de vida.

As descobertas de uma força extra para essa vida longa surgem a cada dia: atividade física, boa alimentação, ter amigos, ter um companheiro ou fazer o bem. Agora, um novo estudo mostra que também parece haver uma relação entre uma vida mais longa e ter filhos. Ou seja, as pessoas com crianças geralmente vivem mais do que aquelas que não têm. E os pais com dois filhos têm ainda um pequeno bônus de longevidade.

Os dados são claros: mães e pais geralmente vivem mais. O efeito é particularmente pronunciado para os pais adotivos: o estudo mostra que adotar uma criança acrescenta três anos à vida; adotar duas ou três crianças acrescenta cinco anos, mostra o trabalho da autoria de Kieron Barclay, do Instituto Max Planck de Investigação Demográfica, e Martin Kolk, da Universidade de Estocolmo, publicado no European Journal of Population. Foram analisados dados de mais de 4 milhões de pessoas.

Essa associação não chega a ser exatamente nova, com várias teorias em torno do tema. O estudo é, entretanto, diferente, uma vez que usam dados de pais adotivos, tornando possível separar explicações fisiológicas e sociais.

Os dois autores do estudo acreditam que não é a gravidez ou a presença de filhos que justifica a extensão da vida útil dos pais. É muito mais provável que quem tem filhos esteja melhor desde o início, comparando com os que não têm. Simplificando, aqueles que são saudáveis, financeiramente bem-sucedidos e têm um elevado nível de educação têm maior probabilidade de atrair um parceiro e têm também recursos para formar uma família maior. Estas pessoas têm uma vantagem desde início.

"É importante ressaltar que os mais jovens em geral não estão conscientes de que - com os avanços da ciência e ao tomarem os cuidados necessários com a saúde e com o espírito - não só poderão viver mais mas com mais qualidade de vida", explica Dennis Giacometti, coordenador da pesquisa feita no Brasil.

 

Olhando para variáveis como educação e ocupação, os pesquisadores concluíram que a vantagem da longevidade existe mesmo quando estas são levadas em consideração. O que, para Barclay e Kolk, isto pode ser devido ao fato de a presença de crianças ter uma influência positiva na saúde dos seus pais. Há duas teorias possíveis para o justificar: uma sustenta que as crianças podem, mais tarde, direcionar apoio e recursos para ajudar os seus pais idosos. A outra, considerada mais provável, revela que os pais são mais saudáveis porque a presença de filhos induz mudanças no seu estilo de vida. Mães e pais adotam um comportamento mais saudável, o que significa que são menos propensos a sofrer acidentes do que pessoas sem filhos e também menos propensos a sofrer de doenças circulatórias. O mesmo vale para os pais adotivos.

É preciso cuidar

Mas, não basta apenas ter os filhos. É preciso encontrar tempo na agenda para se dedicar mais aos filhos para ter o benefício da vida longa. "Se os pais não podem oferecer o dia todo ao lado dos filhos, que ofereçam um tempo de qualidade ao lado deles, sentando à mesa do jantar, brincando no chão e contando histórias", explica a psicóloga Denise Franco. É importante que os pais reflitam sobre a necessidade de viver o momento presente com seus filhos. "No futuro, nada vai compensar a frustração de não ter construído laços de amor, respeito e cumplicidade e esses laços são construídos na infância", diz.