Cochilos no meio do dia podem salvar sua vida

Saúde

Cochilos no meio do dia podem salvar sua vida

Pesquisadores constataram que uma ou duas pausas por semana reduzem risco de doenças cardiovasculares


Descansos ocasionais foram associados a uma redução  no risco de insuficiência cardíaca
Descansos ocasionais foram associados a uma redução no risco de insuficiência cardíaca - Pexels/Banco de imagens

Tirar um cochilo logo após o almoço - a tradicional "sesta" - comum em países da Europa, traz benefícios para a saúde. Um novo trabalho associa essa pausa rápida a um menor risco de doenças cardiovasculares. A investigação concentrou o foco na frequência com que a sesta é feita durante a tarde. E os resultados publicados na revista Heart indicam que as pessoas que tiram um cochilo apenas uma ou duas vezes por semana têm menor risco de sofrer um evento cardiovascular.

"Encontramos apenas uma associação entre a frequência das sestas e as doenças cardiovasculares, mas não foi encontrada nenhuma relação com a duração do cochilo", disse Nadine Hausler, autora do estudo à agência Sinc.

Os pesquisadores confirmaram que os descansos ocasionais feitos uma ou duas vezes por semana surgem associados a uma redução de quase metade no risco de insuficiência cardíaca (48%), quando comparando com os que não o fazem.

Alívio do estresse

O estudo foi feito com mais de 3,4 mil moradores de Lausanne, na Suíça, entre 35 e 75 anos e selecionados aleatoriamente. Foram considerados fatores como idade e duração do sono noturno, além de outros riscos que causam doenças cardiovasculares como pressão alta ou colesterol.

Os pesquisadores acompanharam os participantes e os avaliaram durante cinco anos. Durante o período foram registrados 155 episódios de doenças cardiovasculares fatais e não fatais. Os resultados mostram que mais da metade dos participantes (58%) não fez uma sesta durante a semana anterior, 19% fizeram uma ou duas vezes, 12% cochilaram de três a cinco vezes e 11%, entre seis a sete vezes por semana.

Por ser um estudo observacional, os pesquisadores consideram que existem limitações. Mas apesar disso, avançam que a associação entre o cochilo e menos problemas cardiovasculares pode ter a ver com o fato de as pessoas que dormem à tarde compensarem a falta de sono noturno, conseguindo um descanso que pode ajudar no alívio do estresse.

 

As noites constantemente mal dormidas e a falta de regularidade do sono são potenciais fatores de risco cardiovascular. A questão foi discutida recentemente durante o Congresso Virtual de Cardiologia da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), por um dos especialistas brasileiros em medicina do sono, o cardiologista Luciano Drager, diretor científico da entidade.

"Evidências crescentes sugerem que a insônia - principalmente quando combinada com a curta duração do sono - estão associadas a um aumento no risco de pressão alta e de complicações cardiovasculares", disse Drager. Segundo o especialista, os estudos fizeram correções para outros fatores de confusão que pudessem explicar esta associação tais como idade, obesidade, diabetes e tabagismo, entre outros. "Este pior prognóstico da insônia alerta para o que, intuitivamente, já sabíamos: uma noite bem dormida não descansa só o corpo e a mente, mas pode prevenir doenças graves."

Outro dado com potencial implicação nas doenças do coração, segundo o cardiologista, é a irregularidade do sono (a falta de uma rotina no horário de dormir e de acordar). Um estudo americano, realizado durante cinco anos e publicado recentemente no Jornal of the American College of Cardiology, revelou que uma amostragem de 2 mil pessoas, que tinham maior irregularidade no padrão do sono, apresentava mais do que o dobro de chance de desenvolver doenças cardiovasculares fatais e não fatais.