Ataque do coração ou de pânico?

Saúde

Ataque do coração ou de pânico?

Sinais costumam ser muito parecidos, em caso de dúvidas, o melhor é procurar atendimento médico


Sintomas de pânico são facilmente confundidos com ataque cardíaco
Sintomas de pânico são facilmente confundidos com ataque cardíaco - Pixabay/Banco de Imagens

De uma hora para outra o coração começa a acelerar, o peito é invadido por uma forte dor, a respiração falha. Os sinais preocupam e a primeira reação é buscar atendimento médico de urgência por suspeita de um ataque cardíaco. Esse quadro, acredite, é mais comum do que se imagina e leva muita gente para as emergências dos hospitais com a sensação de que vai morrer a qualquer momento. Entretanto, o diagnóstico na maioria das vezes é o mesmo: um ataque de pânico.

Ataques de pânico se apresentam com sintomas físicos semelhantes aos de um enfarte: dores no peito, formigamento nas mãos, pés ou rosto; taquicardia, náusea, sudorese, tontura, respiração acelerada e muito medo de morrer. O mal-estar súbito é uma resposta à ansiedade. "As principais hipóteses desses ataques observados, indicam que podem estar ligados a vários fatores desde predisposição genética, efeito colateral de medicamentos, uso de drogas, situações estressantes (perda de emprego ou familiar), ansiedade, depressão, baixa autoestima, pensamentos negativos exagerados, além de acúmulo de tensões ou inibições", afirma Gésika Amorim, pediatra com ênfase em saúde mental e neurodesenvolvimento infantil.

"Qualquer um desses sintomas pode ser extremamente assustador", afirma Patricia Tung, especialista da Divisão de Medicina Cardiovascular do Beth Israel Deaconess Medical Center, um hospital universitário, nos Estados Unidos.

Entretanto, embora partilhem várias semelhanças, são dois problemas que resultam de processos muito diferentes. De um lado os ataques de pânico, que surgem quando os hormônios do estresse desencadeiam uma resposta de "luta ou fuga" no organismo. O resultado é a aceleração do coração, dor no peito e falta de ar. Do outro, o ataque cardíaco, consequência de um bloqueio numa artéria coronária, que pode ter os mesmos sintomas.

"Dor no peito, batimentos cardíacos rápidos e falta de ar podem surgir quando uma quantidade insuficiente de sangue atinge o músculo cardíaco", explica Patrícia Tung.

Uma das principais diferenças entre os dois, segundo a médica Patrícia Tung, é que um ataque cardíaco costuma desenvolver-se durante um esforço físico, enquanto um ataque de pânico pode ocorrer em repouso. "O mais provável é que um ataque cardíaco se desenvolva quando a carga de trabalho do coração aumenta. Por exemplo, quando uma pessoa está subindo um lance de escadas, sobretudo se não praticar exercício físico regular", diz.

Outra diferença é a duração: os ataques de pânico tendem a diminuir gradualmente e a resolver-se sozinhos em cerca de 20 minutos; um ataque cardíaco, no entanto, tende a piorar com o tempo. Nas mulheres, os sintomas de ataque cardíaco podem ser mais leves e incluir fadiga incomum e desconforto no peito, em vez de dor. É importante, por isso, não minimizar os sintomas, pois a situação pode se agravar.

O ataque de pânico chega sem avisar, é inesperado. "A pessoa nunca sabe quando vai acontecer. Esse fato também contribui para o ciclo vicioso do medo e da ansiedade, pois há aquela expectativa de que pode acontecer em qualquer lugar, a qualquer momento", diz a neuropsicóloga Paola Casalecchi. Em caso de dúvidas, o melhor mesmo é procurar imediatamente atendimento médico de urgência.

 

Ataque cardíaco: Os sintomas costumam ser dor e pressão no peito com início repentino durante ou após a atividade física (subir escadas ou uma atividade mais intensa), dor que irradia para o braço, mandíbula ou omoplatas. Eles pioram com o tempo. São comuns também a falta de ar, um quase desmaio, suor, náuseas e vômitos;

Ataque de pânico: É comum sentir a frequência cardíaca aumentada ou acelerada, com início súbito, ou surgir em momentos de estresse ou ansiedade extremos, além de uma dor que melhora com o tempo. Os sintomas costumam desaparecer dentro de 20 a 30 minutos. Falta de ar, suor e formigação nas mãos também costumam ser sinais.