De olho nas mochilas

Criança e adolescente

De olho nas mochilas

Estudo mostra que meninas são as mais afetadas pelo excesso de peso


Estudo mostra que meninas sentem mais os efeitos do peso da mochila
Estudo mostra que meninas sentem mais os efeitos do peso da mochila - Freepik/Banco de Imagens

A expectativa de volta às aulas de forma gradativa retoma uma preocupação de pais e educadores: o peso das mochilas. Estojo, cadernos, livros, pastas, produtos de higiene pessoal, carteira, celular e outros acessórios ficam guardados em um único lugar. As consequências do peso abusivo são progressivas e chegam a criar problemas graves de saúde. O problema deixa marcas que, segundo um novo estudo, são mais graves para as meninas.

"Depois de analisar as costas das crianças em idade escolar, descobrimos que o índice de alterações na coluna vertebral é 45% maior nas meninas do que nos meninos", explica Maria Espada, investigadora do grupo de investigação psicossocial no desporto, da Faculdade de Atividade Física e Ciências do Desporto da Universidade Politécnica de Madrid, na Espanha, uma das autoras do trabalho. "O grupo de meninas apresentou maior angulação nas diferentes curvas da coluna vertebral e maior número de alterações nas inclinações vertebrais", diz ainda.

Meninas carregam mais peso

Os pesquisadores acompanharam 219 adolescentes com idades entre os 12 e 15 anos e constataram também que o peso que os alunos carregam é superior ao limite estabelecido pelos especialistas. "A maioria dos estudos sugere que o peso das mochilas não deve representar mais do que 10% do peso corporal. Na mesma linha, há outros especialistas que afirmam que um peso de mochila superior a 10% da massa corporal do aluno implica em aumento do consumo de energia, aumenta a inclinação da coluna e reduz o volume pulmonar", explica a especialista.

"No nosso trabalho, descobrimos que esses níveis foram excedidos em meninos e meninas. Assim, eles suportam um peso médio de 35% da massa corporal nas mochilas", acrescenta. Não só as meninas são mais castigadas, como as mochilas delas costumam ser mais pesadas. Contas feitas, este estudo revela que o peso das mochilas delas é até 12% maior que o peso que eles carregam, o que representa quase um quilo de diferença entre os níveis de carga de ambos.

 

"De diferentes tipos e tamanhos, as mochilas estão presentes no dia a dia de crianças e adolescentes, como facilitadoras na hora de carregar livros e cadernos durante o período escolar. Entretanto, é preciso atenção no peso, que pode acarretar em danos para coluna", explica o ortopedista e cirurgião Pil Sun Choi. "Esta é uma fase em que crianças e adolescentes ainda estão com a coluna em processo de formação pelo crescimento e por isso são vulneráveis à dor e acentuação de malformação", explica o neurocirurgião Alexandre Elias.

Os primeiros sintomas são dores na coluna. "A dor, causada pelo excesso de peso, pode gerar complicações na qualidade de vida do estudante, afetando seu rendimento na escola, no esporte e nas atividades diárias. Em longo prazo, o aluno pode ter alterações posturais, tais como escoliose, hiperlordose e hipercifose", explica o fisioterapeuta André Nogueira, especializado em ortopedia, traumatologia e esportes.

A Sociedade Brasileira de Ortopedia prevê que cerca de 70% dos problemas de coluna na fase adulta, são causados pelo peso e esforços repetitivos na infância e adolescência, sendo comum ver nos consultórios uma maior movimentação de estudantes se queixando de dores, durante o período letivo.

Problema crônico

Se o peso da mochila não estiver adequado, a sobrecarga pode causar um problema crônico como a escoliose (deformidade da coluna). "As queixas mais comuns em crianças e adolescentes são de dores na lombar (parte de baixo da coluna), cervical (parte de cima) e nos ombros", explica o ortopedista Marco Aurélio Neves.

O peso carregado nas mochilas também deve ser bem distribuído. Por exemplo, mochilas com uma alça só acarretam sobrecarga em um lado do corpo, podendo causar desvios posturais graves", explica o fisioterapeuta André Nogueira, especializado em ortopedia, traumatologia e esportes.

"É importante educar a criança ou adolescente quanto à postura ao carregar a mochila, para que se mantenha a coluna sempre ereta e o abdômen para dentro e para a melhor distribuição do peso no eixo correto do corpo", diz ainda Alexandre Elias.