SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SEXTA-FEIRA, 24 DE SETEMBRO DE 2021
Saúde

Magreza que adoece

Ciência mostra que ser muito magro pode reduzir expectativa de vida em alguns anos

Gisele BortoletoPublicado em 13/06/2020 às 20:17Atualizado há 07/06/2021 às 01:22

Como está sua forma física? Fique de olho, pois ser muito magro ou muito gordo pode aumentar significativamente o risco de morrer mais jovem. Os quilos a menos em nome da estética e na tentativa de encaixe de um padrão socialmente aceito, assim como os quilos extras que insistimos em perder a qualquer custo, aumentam as chances de desenvolver doenças, assim como os quilos extras, também são uma fonte de perigo de desenvolver moléstias graves.

É o que mostra uma pesquisa feita pela London School of Hygiene & Tropical Medicine - universidade pública de pesquisa na Keppel Street, Bloomsbury, Camden e uma faculdade constituinte da Universidade de Londres, especializada em saúde pública e medicina tropical. Foram analisados dados de 3,6 milhões de britânicos e 367,5 mil mortos em um dos maiores estudos do gênero.

Os pesquisadores constataram que a partir dos 40 anos, as pessoas que estão na extremidade, tanto do excesso, quanto do baixo peso classificado pela escala do Índice de Massa Corporal (IMC), têm mais chances de viverem menos. "O índice de massa corporal é calculado dividindo o peso de um adulto pelo quadrado de sua altura e o nível de IMC que pode ser definido como 'saudável´ varia de 18,5 a 25", diz a estrategista em emagrecimento Liliane Stefoni. O peso ideal duradouro, segundo ela, é consequência da consciência dos benefícios de ter hábitos saudáveis.

"Considerada fator de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares - responsáveis por mais de 70% das mortes no Brasil, o excesso de peso impacta, também, na expectativa de vida", explica a endocrinologista Cíntia Cercato. Estudos realizados com quase 4 milhões de pessoas ao redor do mundo foram compilados e analisados pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido, que publicou os principais achados no periódico The Lancet. No caso de pessoas com obesidade severa, estima-se que a queda da expectativa de vida possa ser de até dez anos.

Os resultados

O estudo sobre o nível ideal de peso mostrou que a expectativa de vida de homens e mulheres obesos foi, respectivamente, 4,2 e 3,5 anos menor do que a de toda a faixa de peso corporal saudável. A diferença entre homens e mulheres com baixo peso foi de 4,3 anos (homens) e 4,5 anos (mulheres). O índice foi associado a todas as categorias de causas de morte, com exceção de acidentes relacionados ao transporte, incluindo câncer, doenças cardiovasculares e doenças respiratórias.

"Para a maioria das causas de morte, descobrimos que havia um nível 'ideal' de IMC, com o risco de morte aumentando tanto abaixo quanto acima desse nível. Para a maioria das causas de morte, quanto maior a diferença de peso, maior a associação que observamos com o risco de mortalidade", disse Krishnan Bhaskaran, autor do relatório.

Mas atenção. Segundo a nutricionista Sinara Menezes, muitas vezes atribuímos a desnutrição apenas a pessoas muito abaixo do peso, no entanto, exames laboratoriais simples comprovam que os números na balança pouco tem a ver com os nutrientes essenciais que o corpo necessita para seu funcionamento pleno: "Há pessoas com o peso ideal que apresentam níveis de colesterol altos, por exemplo, ou pessoas acima do peso que tem carência de vitaminas e minerais, ambos os casos são frutos de uma alimentação inadequada", explica.

Expectativa e vida de pessoas muito magras também é menor (Pexels/Banco de imagens)
Expectativa e vida de pessoas muito magras também é menor (Pexels/Banco de imagens)
 
Copyright © - 2021 - Grupo Diário da Região.É proibida a reprodução do conteúdo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização.
Desenvolvido por
Distribuido por