Intuição no prato

Alimentação saudável

Intuição no prato

A ideia é usar o instinto, desconstruir a dieta restritiva e mudar relação com a comida


Além de construir uma conexão mais saudável com a comida, a técnica  traz outras consequências positivas
Além de construir uma conexão mais saudável com a comida, a técnica traz outras consequências positivas - Pexels/Banco de imagens

Sempre que alguém fala em dieta vem à cabeça a ideia da privação de determinados alimentos. Pronto. Lá vem alguém com a sugestão de cortar o açúcar, o carboidrato ou as proteínas. Entretanto, este é um conceito que a proposta do comer intuitivo vem ressignificar.

"Não é difícil encontrar pessoas que tenham uma relação custosa com a comida — seja por acreditar que deve se privar ou por usar a comida como uma forma de compensar problemas do cotidiano. É justamente para evitar e desconstruir essas disfunções que muitas pessoas vêm optando pela técnica do comer intuitivo", explica a nutricionista Dani Borges.

A técnica visa a ensinar as pessoas a ter autoconhecimento acerca das próprias vontades alimentares, sabendo identificar momentos de fome, saciedade ou mesmo quando a comida está sendo usada como válvula de escape para problemas emocionais.

"A pessoa se entende primeiro, sem seguir um padrão de dieta, sem contar calorias ou mesmo ficar se pesando o tempo inteiro. Aqui há uma sintonia entre corpo e mente, entre saber comer e atender principalmente necessidades fisiológicas e não somente emocionais, porque tem aquilo da gente comer os sentimentos", diz ainda. "Atualmente vivemos numa era com muita disponibilidade de comida. Esta é vista como um manipulador do peso e forma do corpo, que materializa-se na forma das dietas da moda, dos alimentos mágicos e dos perigosos. Imerso no universo em que cuidar do peso passou de normal para uma norma de comportamento, o comer passou a gerar muita culpa, pois com frequência este comer certo não vem de acordo com o comer cultural, habitual, afetivo, social e prazeroso", diz o nutricionista Cezar Vicente Jr.

Além de construir uma conexão mais saudável com a comida, a técnica do comer intuitivo traz outras consequências positivas. Uma pesquisa conduzida pela Academy of Nutrition and Dietetics constatou que pessoas que adotaram esse método passaram a apresentar melhoras de autoestima, imagem corporal e qualidade de vida. "A ressignificação pode reduzir os riscos de transtornos alimentares, que surgem, em muitos casos, na forma desequilibrada pela qual a pessoa enxerga o alimento", diz Dani Borges. Não há taxação de comidas engordativas ou mesmo a ideia do comer porque merece, como uma recompensa ou uma válvula de escape. É um comer para se nutrir, para ter bem-estar e qualidade de vida.

"A comida hoje foi reduzida a nutrientes, o que faz bem ou faz mal, o que engorda ou não engorda, o que é saudável ou não saudável - relegando um processo natural a uma dicotomia triste e traumática. E nesse looping eterno, o comer perde espaço para o emagrecer", diz ainda Vicente Jr. É possível ter paz com o seu corpo e com a comida e isso deveria ser muito intuitivo, mas não é. "É preciso estar atento e criticar esse modelo de beleza único e de alimentação puramente focada em nutrientes e dicotomias. Assim podemos ressignificar uma cultura, pois a postura de um novo comportamento é o motor da mudança", explica.

  • Rejeite a mentalidade de dieta: Não há padrão de dieta. Aqui a alimentação se dá de forma flexível e harmônica. Regras não se sustentam por muito tempo quando o assunto é comida;
  • Honre a sua fome: Seu corpo tem necessidades fisiológicas. Aprenda a reconhecer os sinais: queda de energia, dor de cabeça, entre outros. Os horários em que ocorrem também são importantes;
  • Faça as pazes com a comida: Nada mais prejudicial para relação com a dieta do que ser obrigado a comer aquilo que não gosta e ser restrito do que gosta. Por isso, esse princípio trabalha na permissão incondicional para comer, considerando suas preferências;
  • Desafie o patrulheiro alimentar: Há quem se alimente a espera de alguém para culpá-lo, como se houvesse sempre um patrulhamento, fiscalizando se você está cumprindo as "regras" da dieta;
  • Sinta a saciedade: Saiba identificar os sinais que o corpo expressa quando está satisfeito, honrando não apenas fome, como o momento de parar de comer;
  • Descubra o fator de satisfação: Identifique quais alimentos, em termos de sabor, textura, aroma, aparência, temperatura e volume;
  • Lide com as emoções sem usar comida: Usar a comida como válvula de escape diz, muitas vezes, sobre a incapacidade de saber lidar com emoções. É preciso aprender a se confortar sem envolver a comida;
  • Respeite o seu corpo: Saber importância do seu corpo ajuda a construir uma relação de respeito, que faz com que você tenha mais honra em relação ao que colocará dentro dele. O que seu corpo significa para você? Qual a imagem que você tem dele?
  • Exercite-se: O objetivo deve ser o bem-estar corporal. Além de uma atividade não negociável, estabeleça uma prioridade;
  • Tenha uma nutrição gentil: Faça escolhas para honrar seu corpo, sua saúde e seu paladar, não padrões estabelecidos.

 

Fonte: Dani Borges, nutricionista.