Identifique os vinhos veganos e consuma a bebida sem aditivos

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Identifique os vinhos veganos e consuma a bebida sem aditivos

Prepare as taças: algumas vinícolas respeitam a filosofia e usam apenas produtos de origem não-animal no seu processo de produção, tornando assim o seu produto vegano


Para um vinho ser vegano nenhum componente de origem animal pode estar envolvido no processo
Para um vinho ser vegano nenhum componente de origem animal pode estar envolvido no processo - Freepik/Divulgação

O foco na saúde, qualidade de vida e bem-estar está transformando o veganismo, que é uma filosofia de respeito aos animais, em uma das tendências de consumo que mais cresce. E o universo dos vinhos também está seguindo esta onda de mercado. Os veganos, que não consomem nada de origem animal, desde comida a cosméticos e roupas, já podem comprar em lojas especializadas alguns tipos de vinhos de origem exclusivamente vegetal.

O mercado ainda é novo e bastante restrito. A reportagem falou com cinco veganos de Rio Preto e apenas uma pessoa adepta disse que conhecia o produto. O enólogo Aleandro Osmar Lopes, que trabalha há 15 anos com vinhos, afirma que as bebidas veganas são encontradas em algumas lojas que tem os produtos de alta gama. A Vinícola Arbugeri é bom exemplo de vinhos veganos. "As marcas elaboradas por ela são Cristalle, Victoria, Sfera e 1885."

O enólogo Eduardo Arbugeri, da Vinícola Arbugeri, afirma que a bebida, para ser classificada vegana, não pode conter nenhum aditivo de origem animal em sua composição. O especialista explica que, apesar dos vinhos de qualidade serem feitos apenas de uvas frescas e maduras como constam nos rótulos, eles passam por alguns processos como a filtração, estabilização tartárica e a clarificação, que é usada, por exemplo, para remover algumas impurezas naturais da bebida.

Para fazer a clarificação, as vinícolas, historicamente, usam "colas", que são adjuntos ou insumos de origem animal, como a albumina contida na clara de ovo, a ictiocola, que é uma substância extraída dos peixes, e a caseína do leite. O enólogo Eduardo Arbugeri explica que algumas vinícolas estão deixando de utilizar as "colas" de origem animal.

A vinícola Arbugeri, por exemplo, optou por usar insumos de origem vegetal, como a proteína de batata e ervilha, que atendem assim toda a demanda do público vegano. "Todos os nossos produtos, desde o vinho tinto suave até o topo de gama de R$ 300, são veganos", afirma Eduardo Arbugeri. O enólogo explica que este processo não altera o sabor e a qualidade do vinho. "Podemos assegurar ainda que nossos vinhos ainda são livre de alérgenos."

O sommelier Rafael Spatti, da Zahil Importadora de Vinhos, afirma que alguns produtores utilizam ainda substâncias de origem mineral, como a bentonita e o carvão, para realizar a filtração e a clarificação dos vinhos. "Além disso, alguns vinhos utilizam processos de autoclarifição natural, ajudada por trasfegas que vão remover naturalmente os sedimentos. Esses vinhos 'artesanais' também estão de acordo com os princípios do veganismo e são chamados de vinhos naturais. Eles são considerados vegan-friendly. Outra opção seriam os vinhos com selo Kosher, que são produzidos de acordo com critérios rigorosos do judaísmo, entre eles, a lei de não utilização de alimentos de origem animal."

O sommelier Paulo Cursino, responsável pela Enoteca Cursino, vende em sua loja, por exemplo, o Sfera Merlot 2013, da Vinícola Arbugeri, que foi eleito o melhor merlot do Brasil em 2019. A bebida é uma mistura de aromas de frutas vermelhas como ameixa, framboesa e cereja, junto a especiarias como baunilha, cravo e anis, finalizando com a clássica nota de terra molhada, muito tradicional dos merlots da Serra Gaúcha, e o Lidio Carraro Singular Torodelgo, da Vinicola Lídio Carraro, que tem notas de fruta preta madura, mirtilo e ameixa, e com notas das especiarias tabaco e cacau.

 

  • Zahil.com.br
  • Enoteca Cursino
  • Santa Safra
  • Villa Hortifrutti
  • Pão de Açúcar
  • Gibas Empório e Produtos Naturais
  • Chateau Los Boldos 
  • Carmen Seduce
  • Doña Paula
  • Vinícola Miolo
  • Vinícola Santa Rita
  • Vinícola Arbugeri
  • Rosé Piscine (Stripes, Freez e Sea Sun)
  • Vinícola Lidio Carraro

Austrália, Califórnia, Nova Zelândia e Portugal são os países são mais produtores de vinho veganos. O sommelier Rafael Spatti explica que, devido a falta de uma legislação para certificar um vinho vegano, não existe uma análise quantitativa de maiores produtores deste tipo de vinho. "Encontramos também muitos produtores no Chile, Argentina, Brasil, África do Sul, Espanha e Itália."

O especialista afirma que ainda não existe nenhuma legislação que obrigue as vinícolas a selar ou certificar os vinhos como veganos ou vegan-friendly. "A mais antiga sociedade vegana do mundo, a The Vegan Society, reconhecida pela International Vegeterian Organization, costuma inserir seus selos no contra rótulo de alguns produtores. Outra certificação, seria os vinhos com o selo 'Kosher'."

Para ajudar a identificar os vinhos que ainda não contam com o selo, a dica de Spatti é procurar as expressões no rótulo como não filtrado, não afinado e métodos de autoclarificação natural. "Essas expressões significam que nenhum agente clarificador foi utilizado." No caso do vinho ter passado por esse processo, o produtor vai indicar qual elemento utilizado. Se for de origem mineral, como a bentonita e o carvão, pode ser considerado vegano ou vegan-friendly".