Mexa-se contra a catarata

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Mexa-se contra a catarata

Exercício físico reduz o risco da doença ocular relacionada à idade


Ciência confirma que exercício ajuda na prevenção da catarata
Ciência confirma que exercício ajuda na prevenção da catarata - Pixabay/Banco de Imagens

A cada dia novos benefícios da prática do exercício físico são descobertos. Desta vez, os olhos entraram no foco das investigações. Pesquisas feitas com mais de 170 mil pessoas encontraram evidências conclusivas de que malhar regularmente reduz o risco de cataratas relacionadas com a idade, responsáveis pela cegueira de aproximadamente 13 milhões de pessoas em todo o mundo.

Num artigo recente publicado no International Journal of Ophthalmology, investigadores da Universidade de Xi'an Jiaotong e da University of South Australia (UniSA) analisaram dados de seis estudos diferentes que avaliaram a forma como o exercício reduz os danos oxidativos no olho. A surpresa foi bastante positiva: eles encontraram uma redução de 10% nas cataratas relacionadas à idade entre as pessoas que praticavam atividade física regular, como caminhar e andar de bicicleta.

Para o epidemiologista da UniSA, Ming Li, a atividade física reduz o estresse oxidativo no olho, inibindo a degradação lipídica que resulta em danos causados às células. "Sabemos que o exercício aumenta a atividade de enzimas antioxidantes, com todos os tipos de benefícios, incluindo a limitação de infecções e inflamações oculares", explica na conclusão do artigo.

Prevalência maior entre mulheres

A última Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE revela que a prevalência da catarata é 29% maior entre as mulheres do que entre os homens no Brasil. A condição atinge ainda 31,9% das mulheres contra 24,6% dos homens com 60 anos ou mais. Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier, entre as explicações para esta diferença estão os picos de estrógenos do ciclo menstrual. Isto porque, quando os hormônios aumentam, o cristalino absorve mais água e à medida que os hormônios voltam ao nível normal o cristalino desidrata. A repetição deste processo ao longo da vida reprodutiva estimula a opacificação do cristalino que caracteriza a catarata e geralmente a doença aparece após os 60 anos.

 

Estudos anteriores já tinham demonstrado que o exercício físico a longo prazo eleva também o HDL, conhecido como 'bom colesterol', que pode transportar mais antioxidantes do plasma para as lentes para evitar danos oxidativos. Soma-se outra vantagem: o exercício melhora a resistência à insulina e os perfis lipídicos, ambos associados a um risco aumentado de cataratas relacionadas com a idade. Este tipo de cataratas "é uma das causas mais comuns do comprometimento da visão e cegueira no mundo e, embora a cirurgia seja uma opção eficaz para recuperar a visão, é muito dispendiosa", diz Li.

"A lente é altamente suscetível a danos oxidativos devido à elevada concentração de ácidos gordos poli-insaturados e à sua função biológica específica. Embora não compreendamos completamente os mecanismos subjacentes à catarata associada à idade, sabemos que o envelhecimento e os danos oxidativos desempenham um papel essencial no desenvolvimento da doença", acrescenta.

Os investigadores concluíram que o risco de desenvolver catarata pode potencialmente diminuir em 2% por cada hora de ciclismo ou caminhada diária. A expectativa é incentivar as pessoas mais velhas a se exercitarem.