A idade da fé

Espiritualidade

A idade da fé

Jovens são menos religiosos do que adultos, mostra estudo


Pesquisa mostra que para 51% dos jovens brasileiros religião é importante
Pesquisa mostra que para 51% dos jovens brasileiros religião é importante - Pixabay/Banco de Imagens

Há algum tempo, pesquisas mostram que os adultos mais jovens têm menos probabilidade do que os adultos mais velhos de frequentar a igreja, acreditar em Deus ou dizer que a religião é importante para eles. Essa diferença de idade na religião não existe em todos os países, mas um novo estudo do Pew Research Center, nos Estados Unidos, mostra que o cenário se repete em 46 dos 106 países pesquisados no mundo, entre eles o Brasil.

Os pesquisadores descobriram que nestes países, pessoas com menos de 40 anos têm menor probabilidade de dizer que a religião é muito importante em suas vidas do que os adultos mais velhos. Em 58 países, não há diferenças de idade significativas nessa questão.

Na pesquisa, 76% dos entrevistados brasileiros com mais de 40 anos disseram que a religião é "muito importante" para suas vidas, ante 70% daqueles abaixo dessa idade. Mas os dados brasileiros estão acima da média global (57% dos mais velhos e 51% dos mais jovens consideram o tema muito importante).

Envelhecimento e condição econômica

A pesquisa mostrou também que os entrevistados mais jovens têm menos probabilidade de se identificar com qualquer religião em 41 países. Padrões semelhantes surgem quando são questionados sobre as taxas diárias de oração e de participação nos cultos.

Para Stephanie Kramer, pesquisadora associada com foco em religião no Pew Research Center, uma teoria é que as pessoas naturalmente se tornam mais religiosas à medida que envelhecem e se aproximam de sua própria mortalidade. Outra tese é que as sociedades se tornam menos religiosas quando as condições econômicas melhoram e as pessoas enfrentam menos problemas de indução de ansiedade ou risco de vida. "Como os jovens de sociedades em constante desenvolvimento geralmente têm uma vida mais fácil do que os mais velhos, segundo essa teoria, eles são menos religiosos", diz ainda.

No entanto, Stephanie diz que seria um erro supor que o mundo em geral está se tornando menos religioso só porque os jovens são menos devotos. Muitos dos países menos religiosos do mundo têm populações que estão encolhendo ou crescendo apenas lentamente, enquanto as regiões com maior crescimento populacional tendem a ser muito religiosas.

Os filhos, geralmente, seguem o comportamento dos pais que desempenham o papel de modelos espirituais. "Espiritualidade é a consciência de que somos um fenômeno transcendente à vida concreta e material, ou seja, o homem não consegue explicar como veio ao mundo, como existe - de onde viemos e para onde vamos. Ter-se consciência de que há uma força maior que rege o universo, e do qual somos uma partícula mínima em meio às outras partículas com várias qualidades parecidas e muito diferentes das nossas, mas que juntos fazemos funcionar esse grande conglomerado de energias e entidades que é o universo", diz o terapeuta Roberto Gwydion.

A melhor maneira é pelo exemplo. "Não podemos passar adiante aquilo que não possuímos", explica a educadora Michelle Antony, autora do livro "Espiritualidade em Família" (ed. Mundo Cristão). O ideal é buscar uma vida a fim de transmitir a vibração de sua fé para seus filhos. O estabelecimento de uma dinâmica familiar favorável à fé autêntica, conforme aponta, é fundamental a fim de que os filhos experimentem inspiração, motivação e vivência dos valores espirituais no dia a dia. Isso independe de religião. Basta crer em algo maior.