Espiritualidde

Hora da compaixão

Virtude é antídoto transformador contra a indiferença humana


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A compaixão está entre as mais humanas das virtudes
A compaixão está entre as mais humanas das virtudes - Infocuspix

Você certamente tem visto todos os dias milhares de voluntários que, de maneira anônima, fazem a distribuição de alimentos, roupas e remédios aos mais necessitados. Também percorrem orfanatos e lares sem recurso; arrecadam donativos para desabrigados por tragédias naturais. São pessoas que tentam, a todo custo, minimizar a dor dos que sofrem. A pergunta é: qual o sentimento que faz com que tantas pessoas deixem temporariamente a vida delas de lado para se preocupar com o sofrimento de estranhos? Isso se chama compaixão.

A compaixão nada mais é do que reconhecer o sofrimento do outro e ativamente se engajar internamente por uma solução como se esse sofrimento fosse de fato nosso. Não deve ser confundida com empatia. Combina um desejo de aliviar ou tornar menor o sofrimento de outra pessoa, assim como o demonstrar especial gentileza com aqueles que sofrem.

Esse estado pode levar alguém a sentir empatia pelo outro. E essa virtude não é eventual e não surge apenas em momentos específicos. É um estado de espírito que está inserido no coração. É permanente. Tem raízes profundas e leva o ser humano a se preocupar com o bem-estar do seu semelhante.

A mais humana das virtudes

"A compaixão talvez seja, entre as virtudes, a mais humana de todas, porque não só nos abre ao outro, como expressão de amor dolorido, mas ao outro mais vitimado e mortificado", diz o teólogo e escritor Leonardo Boff no livro "O Princípio Compaixão e Cuidado" (ed. Vozes). Segundo ele, pouco importam a ideologia, a religião, o status social e cultural das pessoas. A compaixão anula estas diferenças e faz estender as mãos às vítimas. "Ficarmos cinicamente indiferentes, mostra suprema desumanidade que nos transforma em inimigos de nossa própria humanidade. Diante da desgraça do outro não há como não sermos os samaritanos compassivos da parábola bíblica", explica ainda na obra.

A boa notícia é que você pode aprender a enxergar o outro com o olhar compassivo.

"Cultivar estados mentais positivos como a generosidade e a compaixão decididamente conduz a melhor saúde mental e a felicidade", disse Dalai Lama, autoridade máxima do budismo tibetano. Mas o que é esse sentimento que todo mundo fala, mas pouco se sabe? Apesar de o dicionário o descrever como um pesar que em nós desperta a infelicidade, a dor, o mal de outrem; piedade, pena, dó e condolência, a compaixão pode não ser exatamente o que você pensa. Especialistas a descrevem como uma espécie particular de amor e garantem que existem várias formas de experimentá-la, a maioria de forma surpreendente.

Você pode tentar exercitando a paciência, a tolerância, estar perto de alguém em silêncio, uma vez que ter compaixão é olhar para o outro e ver a necessidade dele naquele momento. Pode ser um abraço carinhoso, uma ajuda material, uma orientação em algum momento difícil. É essencial apenas que qualquer uma dessas ações parta do coração e que corresponda ao que é preciso naquele instante.

A compaixão está muito distante da pena. Quem tem pena, muitas vezes, não ama verdadeiramente. Compaixão é um valor e se expressa através da nossa percepção ou consciência do mundo ao nosso redor, que conduz a nossa visão, nossa atitude, nossos pensamentos, palavras e ações. Os valores humanos funcionam como amortecedores, que tornam a vida mais prazerosa - eliminando o impacto pesado e, por vezes, desconfortável dos obstáculos que, inevitavelmente, fazem parte do percurso.

"Por ser um valor, a compaixão conecta-se à minha grandeza e a grandeza dos outros. É a minha habilidade de estabilizar-me na minha essência plena e me conectar com a essência dos outros e das situações. E assim, posso discernir melhor como me posicionar diante de cada cena, percebendo de maneira mais ampla e, ao mesmo tempo contextualizada, qual é a resposta a ser dada naquele momento", diz a professora de raja ioga Juliana, da Brahma Kumaris, entidade espiritual fundada na Índia.

A compaixão não é uma resposta movida pela pena ou dó. É um sentimento de que, quando estamos fortalecidos, podemos compartilhar o que a situação solicita sem me influenciar por ela. Se houver negatividades envolvidas, damos a resposta necessária e seguimos em frente. "Neste momento atual, doar paz, esperança, cooperação e positividade é uma atitude de compaixão com a família global e o planeta terra que nos acolhe. Mesmo com tantas cenas de desesperança, mover-se rumo a uma meta positiva é possível", explica Juliana.

  • Respeite o próximo. Não há compaixão sem respeito;
  • Tenha empatia. É importante se colocar no lugar do outro, mas lembre-se que a compaixão não é sofrer pelo outro. Você não irá sentir o que a pessoa está sentindo, mas saberá como se sentiria se lhe acontecesse a mesma coisa;
  • Evite julgar a dor do outro com base em suposições. Cada um sofre de maneira diferente e baseado em suas experiências de vida;
  • Procure não aumentar ainda mais o sofrimento alheio com comportamentos de crítica e discriminação;
  • Mantenha uma visão positiva em relação às situações em sua própria vida;
  • Fortaleça o amor-próprio e o amor ao próximo.