Você é o maior beneficiário

Criança e adolescente

Você é o maior beneficiário

Brincar com as crianças pode trazer vantagens também para os adultos


Brincar com os filhos pode trazer efeitos positivos para os adultos
Brincar com os filhos pode trazer efeitos positivos para os adultos - Pexels/Banco de imagens

Que as brincadeiras são motivadoras e promovem o engajamento ativo, resultando em descobertas alegres na infância, é fato. Há médicos que até prescrevem o "brincar". Mas agora um novo estudo feito em parceria entre a professora Jacqueline Harding, da Universidade britânica Middlesex e especialista em desenvolvimento infantil e neurofisiologia, revela os benefícios e efeitos positivos que as brincadeiras com crianças podem oferecer aos adultos.

Para a conclusão do relatório chamado "playtime for everyone" (hora de brincar para todos) foram avaliados mais de 100 estudos sobre neurociência e psicologia comportamental com o objetivo de encontrar evidências do potencial impacto que as interações lúdicas entre adultos (pais, avós e cuidadores) e crianças durante as brincadeiras.

"Tem momentos que as crianças gostam de brincar sozinhas, e isto é benéfico, mas em outros ela vai gostar que a família participe. Você pode sentar no chão com o filho e esperar que ele sugira alguma brincadeira, ou então pode propor alguma atividade criativa, como desenhos, recortes e pinturas. Outras sugestões são bingo, quebra-cabeça, forca, memória, jogo da velha, mico e stop", explica a coordenadora pedagógica Cibele Bastos Guaringue.

As conclusões sugerem que o tempo de brincadeira pode reduzir os níveis de estresse, aumentar o bem-estar e a resistência mental e mesmo ajudar a fortalecer o sistema imunológico. As gargalhadas que acontecem durante as brincadeiras, por exemplo, equivalem a uma corrida, uma vez que podem diminuir a pressão sanguínea e o estresse, e ainda impulsionar o sistema imunológico, tal como acontece na prática de exercícios moderados.

A pesquisadora constatou ainda que o estresse constante libera no cérebro um hormônio chamado cortisol e os momentos de brincadeira entre adultos e crianças podem ser o "antídoto inteligente" que beneficia ambas as partes.

"Sabemos que este é um momento incrivelmente desafiante para os pais que estão a tentando coordenar agendas numa situação sem precedentes. Este relatório revela que o tempo das brincadeiras pode ser um antídoto ao estresse e trazer inúmeros benefícios para adultos e crianças", explica Jacqueline Harding na conclusão do relatório. Com uma boa dose de criatividade, lembra Cibele Guaringue, é possível envolver crianças e adultos em um clima de alegria e descontração, deixando na memória dos pequenos o prazer de conviver em família.

Massinha: Feitas em casa com água e farinha de trigo ou compradas, a brincadeira estimula a imaginação, trabalha a coordenação motora fina e o tato. Os pais podem ensinar a criança as diferentes possibilidades, como animais, formas, pessoas ou flores;

  • Faixa etária ideal: entre 2 e 5 anos;

Blocos de montagem: São bons para estimular a coordenação motora fina, a percepção e a associação. É possível encontrar blocos maiores para as crianças menores e os mais tradicionais. As formas, tamanhos e cores também contribuem para o desenvolvimento cognitivo. O adulto pode ajudar na criação;

  • Faixa etária ideal: A partir dos 2 anos;

Quebra-cabeça: Bom para estimular o desenvolvimento da coordenação visual e motora. O jogo ajuda ainda a criança a perceber a parte pelo todo e todo pela parte. Os pais podem aproveitar o momento da montagem para contar histórias, especialmente para as menores. Incentive também a criança a pensar na construção da história da cena montada;

  • Faixa etária ideal: A partir de 3 anos

Adivinhe o que é? Você pode ser colocar diferentes substâncias ou objetos em vasilhas, como gelatina, areia, lama, gelo, água, farinha, borra de café, casca de vegetais ou frutas, por exemplo. Coloque uma venda nos olhos da criança e a partir do tato e do olfato, incentive-a a adivinhar o que ela está tocando/segurando. É um ótimo estímulo para a integração sensorial.

  • Faixa etária ideal: A partir de 3 anos ou mais

Pular corda: Embora pareça fácil, vai exigir das crianças muita coordenação motora, dos braços e das pernas, o que estimula a psicomotricidade. Também trabalha o equilíbrio e o reflexo, além da visão especial. Você pode colocar uma música para desenvolver a noção de ritmo. Isso vai garantir boas risadas;

Jogo da memória: Ótimo estímulo para trabalhar a memória, concentração, a atenção e o raciocínio lógico.

  • Faixa etária ideal: A partir dos 4 anos

Que bicho sou eu? : Descreva um animal e a criança precisa adivinhar qual é. Estimula a competitividade e a interação social, além claro de incentivar a criança a buscar na memória as informações solicitadas. A ideia é dar pistas até que a criança adivinhe qual é o animal descrito. Use exemplos de bichos que a criança conheça. Se for feita em grupo, crie uma tabela de pontos e recompense o ganhador.

  • Faixa etária ideal: A partir dos 3 anos

Fonte: Márcia Strabeli, terapeuta ocupacional e Christiane Benevides, fonoaudióloga