À noite os sonhos são pardos

À noite os sonhos são pardos.

As formas, perdendo contornos,

deixam a alma contorcida de dor

e a esperança luta para não morrer,

afogada no pranto silencioso e solitário.

À noite os sonhos são duros.

O leito perde as proporções

e se agiganta

e se resfria

trazendo doenças

que só se curam com outra presença.

À noite os sonhos emigram.

Partem em busca da vida

e se encontram no sono,

neste sono obrigatório que tira a paz,

neste treino para a morte.