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Otimistas dormem melhor do que os pessimistas, mostra ciência


Um estudo mostrou ser otimista ajuda a garantir sono mais tranquilo
Um estudo mostrou ser otimista ajuda a garantir sono mais tranquilo - Freepik/Banco de imagens

A ciência já validou por meio de estudos que os otimistas podem viver alguns anos a mais do que pessimistas e têm menor risco de doenças crônicas. Ser otimista reduz o risco de ter infarto ou e um acidente vascular celular (AVC). Um estudo feito por especialistas da Universidade de Harvard e do Hospital Monte Sinai, nos Estados Unidos, concluiu que entre os otimistas, o risco de sofrer um evento cardiovascular como infarto ou derrame, foi 35% menor. Já o de morrer por qualquer causa caiu 14%, segundo outro trabalho feito pela Universidade de Pittsburgh, no mesmo país.

A novidade agora é que por trás desta vida longa e mais saudável, pode estar o fato de os otimistas dormirem melhor. Um estudo liderado pelo pesquisador Jakob Weitzer, da Universidade de Viena, na Áustria, analisou dados de uma investigação online feita em 2017 sobre as características gerais do sono e outros fatores, como a situação e os comportamentos das pessoas antes de irem para a cama. Os epidemiologistas da MedUni Vienna descobriram que a probabilidade de sofrer de distúrbios do sono e/ou insônia foi cerca de 70% menor entre os mais otimistas do que entre os que tendiam ao pessimismo.

"A privação do sono ou o sono inadequado trazem sérios riscos à saúde, que incluem redução de atenção e aprendizado, prejuízo da memória, risco de depressão e de acidentes, potencial aumento de hipertensão arterial e infarto de miocárdio, propensão à obesidade e ao diabetes, entre outros", alerta a neurologista Márcia Assis.

"Outros estudos mostraram que os otimistas fazem mais exercício, fumam menos e seguem uma dieta mais saudável. Além disso, têm melhores estratégias para lidar com problemas e sentem menos estresse em situações desafiadoras. Todos estes fatores podem contribuir para uma melhor qualidade do sono", explicou Weitzer na conclusão do estudo.

 

Otimismo é disposição para ver as coisas pelo lado bom e esperar sempre uma solução favorável, mesmo nas situações mais difíceis. A boa notícia é que esse estado pode ser cultivado por meio do exercício. Para a maioria das pessoas, o cérebro é essencialmente condicionado a pensar no pior. "O otimismo é contagiante, é uma energia que pode fazer os projetos darem certo e que, de maneira bem prática, acaba com o sofrimento por antecipação. O otimismo contamina positivamente as pessoas em volta e pode ser a alavanca para o sucesso da sua decisão", explica Luciano Salamacha, professor de MBA.

Um dos exercícios propostos para cultivar este estado é o método que leva o nome de "melhor possível". Trata-se, segundo Jakob Weitzer, de tentar imaginar um ideal e escrever como a melhor vida possível pode ser no futuro. Após várias semanas de prática regular, pode ajudar a aumentar o nível de otimismo de um indivíduo".

Não se trata tanto de alcançar esse "ideal", mas de refletir sobre ele, para ajudar a estabelecer metas realistas para um futuro otimista. Entretanto, não se sabe ainda se o aumento de otimismo alcançado através destes exercícios possa promover um melhor sono e uma melhor saúde, enfatiza Weitzer. Se isto realmente ocorrer, teria de ser investigado em estudos posteriores e o "treino para otimismo" poderia reduzir a prevalência de distúrbios do sono e outros problemas de saúde na população.

Positividade e otimismo têm a ver com a forma como cada um enxerga a si mesmo, como cada um usa a autoconfiança e a autoestima frente aos problemas da vida. Mas o professor Gustavo Arns, idealizador do Congresso Internacional de Felicidade, pesquisador e estudioso do tema, faz um alerta: cuidado com as armadilhas do otimismo. "Uma visão infantil é esperar que o pensamento positivo resolva os problemas. Otimismo é esperar pelo melhor, mas também trabalhar para alcançá-lo", diz.