12 de junho

12 de junho


Não será menos enigmática esta página

que meus seios nos seus braços;

nas páginas de seus livros sagrados.

Você é o é, o foi e o será.

Volto a acariciar seu corpo com linguagem,

que é tempo sucessivo e emblema.

Agora seus dedos brincam comigo

misteriosos se esparramam

sobre minhas coxas.

Eu quis brincar com este encontro,

mas a textura da sua pele

me assombrou com ternura.

Estou aprisionada

na humildade de seu colo.

Com medo e desejo,

esses dois rostos do incerto futuro.

Encomendei esta escritura a um eu lírico qualquer;

jamais será o que quero dizer.

Da minha vontade caem esses signos:

que outro escreva

o poema.

Amanhã serei uma mulher entre as mulheres,

mas receberei um cartão de Veneza.

Às vezes projeto a saudade

no enlace desta maquinaria.