Certo ou errado?

Comportamento

Certo ou errado?

Apenas cinco pilares influenciam nossas decisões, diz ciência


A validação do que é certo ou errado pode variar de uma cultura para outra
A validação do que é certo ou errado pode variar de uma cultura para outra - Pixabay/Banco de Imagens

Todos os dias tomamos decisões. Algumas são automáticas ou espontâneas. Outras exigiram pensamentos e avaliações mais refletidas e conscientes. São aquelas cujos resultados têm consequências maiores em nossas vidas. Mas independentemente da cultura ou da religião, sua percepção de que algo é certo ou errado na hora de decidir o que fazer segue sempre um mesmo processo mental.

A teoria é dos pesquisadores especialistas em psicologia moral Jesse Graham, da Universidade do Sul da Califórnia, e Jonathan Haidt, da Universidade de Nova Iorque, ambas nos Estados Unidos. Eles garantem que usamos cinco pilares antes de decidir.

O grupo de pesquisa investiga o código moral de diferentes sociedades. Eles resumiram anos de estudo na chamada "teoria dos fundamentos morais". A validação de que o que é moralmente correto, segundo eles, pode variar de grupo para grupo, mas tudo depende de cinco pilares fundamentais.

Cuidado: O primeiro fundamento na hora de fazer uma escolha entre o que é certo ou errado apela para o nosso instinto de evitar a dor - e de não gostar de ver os outros sofrendo também. Seres humanos desenvolveram tendências neurológicas de se apegar a outras pessoas e se compadecer delas. "O cuidado no cotidiano se apresenta nas mais variadas relações como entre um casal, entre irmãos, com os animais de estimação, entre mãe e filho. Ele faz parte da vida de todos nós, se estamos aqui hoje é porque fomos cuidados. Da mesma forma a vida pede que cuidemos também em algum momento", explica a psicóloga Marcela Pimenta Pavan. Desta forma, uma decisão parece "moral" quando promove o cuidado de alguém, e amoral quando prejudica ou machuca outra pessoa;

Reciprocidade: O pilar, segundo os pesquisadores, se baseia na percepção que temos quando estamos recebendo um tratamento que não merecemos. "Na psicologia social, reciprocidade é uma relação em que um comportamento positivo recebe em troca um outro comportamento positivo, e um negativo receberá em troca o mesmo. Poderíamos, então, pensar a reciprocidade como uma forma de equilíbrio entre aquilo que você doa e aquilo que você recebe", explica a psicóloga Maria D'Ajuda Costa Passos. É a partir desse sentimento que a ciência acredita que desenvolvemos os conceitos sociais de justiça, liberdade e igualdade. O significado varia de uma cultura para outras, mas a sensação intuitiva de que não está havendo reciprocidade entre a sua ação e a reação de outra pessoa já nasce com você. Neste caso, é preciso agir com sabedoria e autocontrole, uma vez que o sentimento de que estamos sendo injustiçados desencadeia decisões nem sempre seguras;

Lealdade: "Criamos ligações com a comunidade. Assim, o que é benéfico para o grupo tende a ser considerado moral, e uma ação contra a coletividade dá aquele aperto no coração", dizem os dois especialistas. Lealdade é a capacidade de levar em consideração as pessoas que gostamos e de permanecer ao lado delas, tanto nos bons quanto nos maus momentos. Trata-se de uma qualidade que vai além, pois não é uma mera obrigação, mas sim de uma forte conexão que está associada aos valores de cada indivíduo. "Ser leal tem a ver com confiança, o que pode se aplicar a todas as áreas da vida", diz o coach José Roberto Marques. Ser leal a nós mesmos, a família e amigos ajuda na tomada de decisões pois mexe com nossa sensibilidade e empatia;

Autoridade: O pilar também nasce da nossa coletividade enquanto espécie. Com as vantagens que as estruturas hierárquicas trouxeram para as comunidades, temos a tendência de respeitar tradições e figuras de autoridade e achar mais "corretas" as decisões que vão nessa linha. "Entretanto, esse pilar só se aplica quando acreditamos que a autoridade dessas pessoas é legitima", dizem Jesse Graham e Jonathan Haidt. As autoridades legítimas como nossos pais e governos geram confiança e segurança para a tomada de decisões;

Pureza: Neste pilar, vem a noção de que algo certo se aproxima da pureza e algo errado, da degradação. Se algo não for ilegal, imoral ou prejudicial a nós mesmos e a outrem, é algo bom para se decidir.