Uma simples conversa

Terceira idade

Uma simples conversa

Conversar com os idosos é uma das melhores formas de estímulo intelectual e de demonstrar afeto


 Toques físicos fazem parte da comunicação afetiva, mas são desaconselhados no momento
Toques físicos fazem parte da comunicação afetiva, mas são desaconselhados no momento - Freepik/Banco de Imagens

A população está envelhecendo e buscar fórmulas que ajudem a promover uma melhor qualidade de vida está entre os desafios. Nesta hora, a boa e velha conversa surge como uma ferramenta para estimular as atividades intelectuais e a afetividade. Conversar com os idosos, ouvir suas histórias e pedir conselhos, além de ser uma demonstração de interesse e afeto, estimula a memória, a linguagem e a interação.

A troca de experiências beneficia os dois lados, uma vez que é de senso comum que, na maioria das vezes, a sabedoria vem com o passar dos anos. Um estudo feito por pesquisadores da Universidade do Texas e da Universidade A&M, nos Estados Unidos, mostrou que homens e mulheres com pelo menos 60 anos são mais capacitados para tomar decisões com impactos a longo prazo do que adultos com 20 ou 30 anos, que pensam com imediatismo.

Cerca de 50 homens e mulheres com idades entre 67 e 82 anos e outro grupo com idade entre 20 e 36 foram convidados a dizer como armazenariam oxigênio em uma missão virtual em Marte. Eles puderam escolher entre uma opção que aumentou as recompensas num ensaio futuro e uma que diminuiu essa recompensa em longo prazo, mas trouxe maiores benefícios imediatos. Em cada caso, os participantes mais velhos superaram os demais por descobrirem qual opção levaria aos melhores resultados. E para ajudar a manter essa capacidade de raciocínio diferenciada que os idosos possuem, é preciso incentivo como, por exemplo, estimular o aprendizado e o uso das novas tecnologias de comunicação.

"Além de aprendermos muito com a sabedoria de quem já viveu mais do que nós, fazer com que os idosos conversem, contem suas histórias, exercitem a fala, a linguagem e a memória, facilita a interação deles com a vida cotidiana e o mundo ao seu redor", afirma Marcia Sena, especialista em qualidade de vida na terceira idade.

Não se trata apenas de fazer perguntas ou de ouvir o que eles têm a dizer. É preciso interagir e também apresentar coisas novas. "Os benefícios desta interação não se restringem aos idosos, pelo contrário. Quem souber tirar proveito de toda a sabedoria que eles possuem, incluindo a capacidade de tomar decisões mencionada na pesquisa, vai perceber que nunca é em vão conversar com um idoso, mas uma oportunidade de aprendizado muito valiosa", complementa Márcia.

 

  • Use frases curtas e objetivas;
  • Repita a mensagem com o uso de palavras diferentes, caso haja dificuldade de interpretação;
  • Fale abertamente em frente ao idoso, sem esconder a boca. Não saia da frente dele enquanto fala;
  • Mantenha um volume de fala audível e evite outros barulhos e ruídos que possam atrapalhar a audição;
  • Não interrompa o idoso quando ele estiver falando, sobretudo os que estão enfrentando alguma dificuldade de expressão por linguagem falada;
  • Evite a infantilização quando falar com um idoso lúcido e com suas capacidades mentais preservadas (mesmo com dificuldades de se expressar);
  • Toques físicos como abraços e dar as mãos fazem parte da comunicação afetiva. Entretanto, esse comportamento é desaconselhável em tempos de pandemia da Covid-19.

Fonte: Portal do idoso