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Pesquisadores afirmam que existem quatro tipos de personalidade


Pesquisadores afirmam que há (pelo menos) quatro personalidades
Pesquisadores afirmam que há (pelo menos) quatro personalidades - pexels/Banco de imagens

Os testes de personalidade costumam ser encontrados à exaustão em revistas femininas e nos livros de autoajuda, mas a ciência também decidiu se aprofundar no assunto. Um novo trabalho baseado em grandes conjuntos dxe dados sobre personalidade de 1,5 milhão de pessoas, chamou a atenção de um dos mais severos críticos desse tipo de teste e o levou a concluir que talvez existam tipos de personalidade distintas, afinal. Esse é o mais extenso estudo do gênero feito até agora.

Em um relatório publicado na revista Nature Human Behavior, pesquisadores da Universidade Northwestern, no Illinois, nos Estados Unidos, liderados por Luís Amaral, da Escola de Engenharia McCormick, identificaram que existem, de fato, pelo menos quatro tipos de personalidade: reservada, exemplar, média e autocentrada. Cada uma das quais associadas a diferentes níveis de cinco traços principais de caráter, segundo o Big Five, uma avaliação comportamental que permite analisar a personalidade. Por milhares de anos as pessoas tentam se encaixar em categorias. "Essas ideias remontam aos antigos gregos", disse Martin Gerlach, pesquisador que estuda sistemas complexos na Universidade Northwestern.

Desta vez os pesquisadores analisaram dados coletados por dois projetos do International Personality Item Pool (Ipip-NEO), além do myPersonality e do BBC Big Personality Test, com questionários desenvolvidos pela comunidade científica ao longo de décadas.

Os pesquisadores também contaram com a ajuda do psicólogo William Revelle, que critica abertamente a noção de que existem diferentes tipos de personalidade. "Minha primeira reação foi achar que isso era um absurdo", disse ele.

Os voluntários de diferentes idades responderam as questões atraídos pela oportunidade de receber um feedback sobre suas personalidades, seguindo a teoria dos cinco grandes traços de personalidade: abertura para a experiência, conscienciosidade, extroversão, estabilidade emocional e amabilidade. "Essas são as cinco dimensões para avaliar a personalidade de uma pessoa. O esperado era que a população estivesse distribuída de forma aleatória, mas o que encontramos foram resultados agrupados em algumas combinações, por isso podemos dizer que são quatro tipos", explicou Luís Amaral.

Apesar do dedo da ciência nestes estudo da personalidade, os especialistas consideram que é preciso mais trabalho para transformar os resultados em algo mais útil para a população, como testes a serem usados por profissionais de saúde mental ou recrutadores.

 

Média: Pessoas assim são ricas em estabilidade emocional (neuroticismo) e extroversão, e apresentam baixos níveis de abertura a novas experiências. As mulheres são mais propensas do que os homens a entrar nesta categoria;

Reservada: São pessoas tipicamente tímidas, que no Big Five (os cinco grandes fatores) tiram pontuações altas em afabilidade e autodisciplina, mas baixas em extroversão, neurose e abertura a novas experiências.São seus amigos leais, bem resolvidos e quietinhos. É aquele tipo que não estará em todas as reuniões sociais com você, mas que não faz disso um grande drama. É o único que não parece ser afetado - em termos de representatividade, pela idade e pelo gênero;

Exemplar: São aquelas pessoas que sabem lidar bem com suas próprias emoções, se dão bem com os outros e costumam se recuperar dos percalços da vida. Nos testes, elas apresentaram baixos índices de neurose, mas altos de conscienciosidade, de afabilidade, de extroversão e abertura a novas experiências. São pessoas estáveis e dispostas a experimentar o diferente, sem abandonar as próprias responsabilidades, nem a empatia com os outros. A probabilidade de alguém ser exemplar aumenta com a idade, especialmente após os 40 anos. São pessoas confiáveis e abertas a novas ideias;

Autocentrada: Essas pessoas têm altas pontuações em extroversão, e baixas em todo resto. Não se preocupam demais com os outros, nem com a própria disciplina. Mas também são estáveis emocionalmente - e mantém uma vida social ativa. Com a idade, há uma diminuição drástica no número de egocêntricos, tanto com mulheres quanto com homens.

Extroversão: É a quantidade e a intensidade das interações interpessoais preferidas, nível de atividade, necessidade de estimulação e capacidade de alegrar-se. Reflete a intensidade e quantidade dos relacionamentos, fazendo referência em como as pessoas se relacionam com os outros, o que revela características como disposição, afetuosidade e otimismo;

Socialização (ou amabilidade): Caracteriza-se por ser uma dimensão interpessoal que se refere aos tipos de interações que uma pessoa apresenta. Engloba fatores que geram comportamentos socialmente agradáveis e à qualidade dos padrões estabelecidos nas relações. Pessoas que pontuam alto nesse fator tendem a apresentar características como generosidade, confiança, altruísmo e comprometimento;

Realização (ou conscienciosidade): É o fator que representa o grau de organização, persistência, cautela, controle e motivação para alcançar os objetivos;

Neuroticismo (ou estabilidade emocional): É o nível crônico de ajustamento emocional e instabilidade. Tem relação com características de vulnerabilidade que engloba insegurança e dificuldade de tomar decisões. Refere-se, no geral, como o sujeito vivencia as emoções negativas e os estilos comportamentais e cognitivos que surgem a partir dessa vivência: instabilidade, vulnerabilidade, ansiedade e depressão. Pessoas muito associadas a esse fator são com frequência muito sensíveis, tensas, preocupadas e tendem a apresentar ideias dissociadas da realidade, altos índices de ansiedade, dificuldade em suportar frustrações e usam estratégias de enfrentamento pouco adaptativas;

Abertura para experiências: Caracteriza-se por comportamentos exploratórios, criativos, flexíveis e reconhecimento da importância de ter novas experiências.