Relacionamentos

Empatia é coisa de casal

Habilidade só acontece quando há uma conexão com o outro e individualismo é deixado de lado


Colocar-se no lugar do outro é fundamental para a relação
Colocar-se no lugar do outro é fundamental para a relação - Pexels

Colocar-se no lugar do outro certamente não é uma tarefa fácil. Mas, será que você pratica a empatia no seu dia a dia, especialmente no seu relacionamento amoroso? Quando seu parceiro ou sua parceira chega mal-humorado depois do trabalho você reclama ou tenta ver o outro lado e tenta fazer com que a situação se acalme e o equilíbrio seja restabelecido? A empatia vai muito além de perceber como o outro está se sentindo.

A empatia pode ajudar não só aos outros, como também a nós mesmos. "Ver o mundo conectado no olhar do outro facilita a comunicação, cria laços, fortalece, promove a solidariedade e permite aprender com a experiência do outro", diz a psicoterapeuta Socorro Leite. Se você deseja se relacionar saudavelmente, precisa aceitar e compreender os sentimentos e emoções das outras pessoas.

"A empatia só acontece quando há uma conexão verdadeira com o outro e quando conseguimos deixar o individualismo de lado, assim como as críticas e julgamentos", explica a psicóloga Marina Simas de Lima, terapeuta de casal e família.

"Esse estado nos obriga a entender que nossos interesses e necessidades nem sempre serão os mesmos do nosso parceiro, portanto precisaremos ceder em alguns momentos e isso dentro de um relacionamento é uma constante", diz Marina.

De mãos dadas com a conexão

A conexão com o parceiro é fundamental para praticar a empatia."O ser humano é um ser gregário, social. Isso significa que precisamos uns dos outros para vivermos. Nós crescemos como indivíduos por meio da conexão e não do isolamento. Portanto, a empatia é fundamental na vida a dois, familiar e social, pois nos ajuda a criar e a fortalecer essa conexão", explica a psicóloga Denise Miranda de Figueiredo. "A empatia emocional é quando percebemos o sofrimento, a felicidade, a preocupação do parceiro. Mas, não basta notar o que o outro sente. É necessária uma compreensão verdadeira do que o outro está passando, assim como adotar uma atitude de compaixão para que o outro se sinta melhor, apoiado", diz ainda.

Um estudo liderado pelas psicólogas em 2016 mostrou que o temor de não se sentir amado e apoiado ocupou o terceiro lugar no rankig dos principais medos dos casais brasileiros e ficou na frente, inclusive, do medo de ser traído.

Julgue menos, apoie mais: Todos nós em certos momentos iremos julgar pessoas e situações, pois isso faz parte da condição humana. Entretanto, quanto menos julgarmos, mais empáticos seremos. E quando não julgamos, fica mais fácil não criticar;

Esteja sempre presente: Vivemos na era da hiperconectividade e isso afasta os casais. Você não vai perceber se o outro está bem ou mal se estiver atento ao celular. Muitas vezes, a tecnologia te afasta de quem está perto para aproximar de quem está longe;

Ofereça apoio: Evite supor ou imaginar do que o outro precisa. Isso aumenta a desconexão e não permite que você se coloque no lugar do outro. Ofereça apoio e a tolerância;

Nada de competições: Quando o outro está angustiado por algum motivo, evite dizer que tudo vai ficar bem, que não é nada, que você passou por algo pior. Ofereça espaço para o outro desabar, falar o que sente;

Seja tolerante: A tolerância e a empatia caminham juntas e se completam. Você não precisa abrir mão de suas opiniões ou crenças, mas precisa entender que todos são livres para pensar e agir de maneiras que nem sempre serão iguais as suas.

Fonte: Denise Figueiredo e Marina Lima, psicólogas