Comportamento

Novas notas, nova melodia

Padrões de comportamento repetidos podem ser modificados através da consciência


Você pode mudar padrões de comportamento se fizer de forma diferente
Você pode mudar padrões de comportamento se fizer de forma diferente - Pixabay/Banco de Imagens

Muitas pessoas sentem que a vida se repete como em um círculo vicioso. É muito comum que muitas coisas que já aconteceram no passado voltem a se repetir em várias áreas da vida, seja no campo da saúde, produzindo as mesmas doenças, no campo das finanças, dos relacionamentos, atraindo pessoas que possuem os mesmos padrões e comportamentos dos antigos relacionamentos já vividos.

Um padrão é algo que se repete, que tem uma regra, uma lógica, uma conformação definida. "Um padrão de comportamento é uma maneira de agir que sempre se repete diante de situações semelhantes", explica o psicoterapeuta Alfeu Marcatto. Por exemplo: se você sempre "explode" à menor contrariedade é porque criou um padrão de comportamento. Quando se depara com algo que não saiu como você queria, "dispara" internamente sempre a mesma reação.

"Quando estamos diante de algo novo, dizemos que é desconhecido. Não temos padrões para aquilo. Procuramos então ligá-lo a algo que já conhecemos, a um padrão existente. Daí passamos a procurar compreendê-lo, passamos a construir um padrão de repetição que nos permita reconhecer este algo quando o virmos de novo", complementa Marcatto.

Algumas pessoas, dizem os estudiosos do comportamento, não se incomodam em repetir padrões quando estes não causam insatisfação, frustração ou perdas imediatas. Acomodam-se a um estilo de vida no qual tentam criar justificativas às suas ações e suas consequências.

Mas muitas pessoas chegam até mesmo a apostar numa repetição dos padrões como uma resistência esperançosa de obter um resultado diferente, provando a ela mesma e aos outros que não estava errada antes. Uma frase que circula pela internet e cuja autoria é desconhecida, descreve a tentativa: "Insanidade é fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes." É como se você usasse as mesmas notas em uma música e esperasse uma melodia diferente.

As repetições de padrões se estabelecem como resultado das vivências da pessoa, de sua interação nos ambientes que convive e da formação emocional. Por isso, há um entrelaçamento dos padrões com a maneira como a pessoa vê as situações que se apresentam. As reações são automáticas e uma visão clara sobre elas é mais difícil.

Para mudar esses padrões, é preciso identificá-los e discriminá-los. Ao tomar consciência de que um comportamento está interferindo nos resultados que espera, a tendência é o desejar mudar a causa, mas é preciso dar o primeiro passo. Verifique se a situação atual é semelhante a outras do passado. Observe, relembre e compare fatos ocorridos no passado com a realidade atual. A mudança será possível quando você se conscientizar que a situação atual, apesar de semelhante, é uma nova oportunidade para transformar as coisas. É preciso compreender que o contexto não é o mesmo e suas ações podem ser diferentes.

Quando começar a colocar em prática a nova estratégia, seu cérebro irá tentar te mostrar que essa mudança dará muito trabalho, que é difícil e que não funciona para o seu caso, para que você desista. Isso porque, depois de várias repetições daquele comportamento, ele já automatizou e adquiriu o status de "suficientemente habilitado" e você já não pensa mais, faz aquilo automaticamente.

O psicólogo cognitivo-comportamental Rubens Caratta afirma que esses padrões surgem em algum momento da vida das pessoas e podem ter sido até úteis em algum momento. Mas tendemos a repetir as mesmas soluções e aí reside o distúrbio. "Na medida em que nos colocamos a avaliar nossos pensamentos, os sentimentos se tornam mais suscetíveis de mudança e junto com eles os nossos comportamentos, que os refletem", diz. A chave para a mudança é a persistência, porque, sendo um hábito, ele está instalado e a nossa tendência é de repetir as coisas que nos são familiares.

É importante tentar descobrir a causa quase irracional deste ciclo fechado: "Talvez porque nossos comportamentos repetitivos estejam enraizados, sejam instintivos", diz o psicoterapeuta norte-americano Stanley Rosner, autor do livro "O Ciclo da Autossabotagem" (ed.Record). Segundo ele, agir sempre da mesma forma, pode ser um hábito que não traz grandes problemas, como manter a mesma rotina antes de sair para o trabalho. Entretanto, algumas atitudes diante da vida são verdadeiras autossabotagens. "Nos sabotamos por ter medo de abandonar uma forma já conhecida de agir para encarar uma situação nova e desconhecida, que podemos não saber como lidar."

Mudar não é uma tarefa fácil. Nem sempre a pessoa tem a força emocional para compreender seus padrões de repetição. Isso faz com que ela não veja saída diferente da conhecida, daquela que está habituada. Modificações profundas podem gerar muitos medos e resistência, pois estabelecem uma nova ordem e exigem que a pessoa se sinta capaz de identificar padrões automáticos de comportamento. O importante é perceber que você não está julgando a si, mas ao seu comportamento. Com essa isenção e sem pressa, você pode mudar o olhar sobre a sua vida e transformar cada momento em uma nova possibilidade para estabelecer recompensas emocionais.

A mudança só depende de você. Mas o que parece complexo, na verdade, exige mudanças simples e práticas, que podem ser realizadas por qualquer pessoa. Estas permitem descobrir como ativar os recursos que já existem no corpo e na mente. "Elas te libertam da tortura das emoções negativas e das crenças que te aprisionam e te impedem de ser feliz, pleno e realizado", explica o terapeuta Wallace Liimaa.