Saúde emocional

Ame-se

Quando não há amor-próprio, a pessoa fica presa nas frustrações do passado e na ansiedade do futuro


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Aquele que não ama a si próprio não reconhece em si qualidades e talentos e se acha inferior ao resto do mundo
Aquele que não ama a si próprio não reconhece em si qualidades e talentos e se acha inferior ao resto do mundo - Pixabay/Banco de Imagens

Se perguntarem se você é uma pessoa amorosa, do tipo amigável, que está sempre disposta encorajar o outro, a maioria vai responder que sim. A grande questão é: você é uma pessoa amorosa consigo mesmo? É amigável, costuma encorajar a si mesmo o tempo todo como faz com os outros? Certamente, as chances de responder positivamente a essas perguntas são menores. Entretanto, amar a si mesmo é fundamental.

Estudos mostram que o amor-próprio é a base para o sucesso, felicidade e relacionamentos saudáveis. Mas entenda: um amor-próprio bem equilibrado não tem nada a ver com egoísmo. É sobrevivência e sabedoria, a sabedoria de se amar é um exercício de sobrevivência que nos habilita às relações saudáveis.

Não é fácil se confrontar com a realidade e descobrir que tudo o que faz da vida é em função dos outros e das coisas. Desenvolver o amor- próprio muitas vezes não é tão simples assim porque, segundo especialistas, desde a infância desenvolvemos a necessidade de aceitação e nos comportamos para sermos aceitos o tempo inteiro. Somos bonzinhos o tempo todo dizendo sim para todos e tentando resolver o problema dos outros. Quando percebemos (se é que isso acontece) descobrimos que passamos boa parte da vida no autoabandono.

Quando não existe amor-próprio, vivemos a ilusão nos relacionamentos não só amorosos, mas na família, no trabalho e na sociedade. Nos colocamos como vítimas e nos contentamos com migalhas, presos nas frustrações do passado e na ansiedade do futuro. Se não nos amamos, não confiamos na vida e nos outros, vivemos presos a mágoas, ressentimentos, raiva e tristeza. Acreditamos que não somos perfeitos e merecedores dos prazeres que a vida pode nos oferecer.

"Aquele que não ama a si próprio, não reconhece em si qualidades e talentos e se acha inferior ao resto do mundo, dificilmente conseguirá amar verdadeiramente o outro, pois seu amor será sempre revestido de medo", explica a psicóloga Pamela Magalhães, especialista em casais e família. Quando não nos amamos, tememos que o outro descubra que não somos bons o suficiente para merecer seu amor e nos empenhamos desesperadamente em satisfazer os seus desejos, como forma de garantir a afeição que ele sente por nós. "Esta consciência só nasce a partir de uma profunda reflexão acerca de nossas qualidades e defeitos e do entendimento de que somos únicos e especiais, não importa o quanto tenhamos errado ou nos desviado da verdade. Sempre é tempo de recuperar o amor-próprio e reconhecer que os erros são fundamentais em nosso processo evolutivo", complementa.

A partir do momento em que você passa a gostar de si mesmo, a relação com familiares, amigos e profissionais também mudam para melhor. Quando há confiança em si mesmo, é possível saber dizer sim, não, se posicionar e ter autonomia para se viver com qualidade - e não é isso o que todos querem?", explica a psicanalista Andreia Rego, coach de desenvolvimento humano.

 

1- Dê crédito a si mesmo. Dar-se oportunidade é a melhor escolha;

2- Busque internamente quais são seus valores pessoais, universais. No que você acredita de bom para si e para as pessoas;

3- Curta-se, envolva-se com seus pontos fortes e suas qualidades;

4- Pergunte-se: qual é o meu maior talento? O que eu faço de melhor? No que sou mais elogiada pelas pessoas?

Fonte: Andreia Rego