Saúde emocional

Gentileza que protege e transforma

Atitudes agradáveis no dia a dia modificam a sociedade e preservam sua saúde


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Gentileza  é forma  de cuidado que torna os relacionamentos mais humanos
Gentileza é forma de cuidado que torna os relacionamentos mais humanos - Pexels

Vivemos o tempo todo em meio a uma multidão de desconhecidos. Cruzamos com estranhos na rua que provavelmente não vamos chegar a conhecer. Diante dessa situação, não é de se estranhar, muitas vezes, a indiferença pelo sofrimento alheio e a distribuição de grosserias, que se tornaram comuns e, o que é pior, aceitáveis. A falta de tempo muitas vezes é a desculpa que nos impede de segurar uma porta para alguém, dar passagem num trânsito caótico ou até mesmo desejar bom dia a um estranho na rua.

Difícil ser gentil e conviver com a falta de gentileza dos outros. E elas acontecem o tempo todo. Uma pessoa corre e fecha a porta do elevador antes de você entrar, pega a sua vaga no estacionamento, entre tantos outros exemplos. Temos visto tanta indelicadeza, desprezo, falta de consideração que chega a causar surpresa quando um estranho pratica um ato de gentileza, sem esperar nada em troca.

Estudiosos do comportamento humano garantem que estamos nos desconectando de nossa essência e, sem amor e gentileza, a humanidade regredirá. Gentileza é a qualidade do que é gentil, do que é amável. É uma amabilidade, uma delicadeza praticada pelas pessoas. É uma forma de atenção e de cuidados que torna os relacionamentos mais humanos e menos ríspidos.

Tratar bem as pessoas está longe de ser só um ato de educação. A ação protege sua saúde e sua vitalidade. É o que garantem as executivas Linda Kaplan e Robin Koval no livro "O Poder da Gentileza- Descubra como a simpatia e a delicadeza podem transformar sua vida" (ed. Sextante).

Tem até movimento mundial

A qualidade que parece faltar muitas vezes diante dos nossos olhos provocou até mesmo a criação do Movimento Mundial pela Gentileza, do inglês World Kindness Movement, ganhou até uma data própria, 13 de novembro que marca o "Dia Mundial pelos Atos de Gentileza" cujo objetivo é despertar a atenção das pessoas para a importância de atitudes gentis na construção de um mundo mais amável e justo. A gentileza é um jeito de ser que demonstra uma genuína preocupação com o outro. "A única motivação para ser gentil é um desejo real de ajudar as pessoas e fazê-las se sentirem bem", diz a psicóloga Sâmia Aguiar Brandão Simurro, mestre em neurociências e comportamento e vice-presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida.

A sensação de gratidão genuína e orgulho que você sente depois de algum ato de gentileza é real, graças aos centros de recompensa que funcionam em seu cérebro. É o que garantem pesquisadores da Universidade de Sussex, na Inglaterra. Eles descobriram que essa reação ocorre em nosso organismo mesmo quando não vamos ganhar nada em troca com o ato de bondade. "Sabemos que as pessoas podem escolher ser gentis porque gostam de se sentir como uma 'pessoa boa', mas também quando acham que há algo para elas nesse ato, como se esperássemos por um retorno ou uma reputação", diz Jo Cutler, co-autora do estudo.

 

Alivia a ansiedade: Pesquisadores da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, descobriram que, após praticar um ato de gentileza por dia, em quatro semanas, os voluntários de um estudo se sentiram mais relaxados, mais propensos a circular socialmente, com a respiração e os batimentos cardíacos mais estáveis e com os níveis de dopamina e serotonina, o hormônio da felicidade, mais altos;

Protege seu coração: Em um estudo conduzido por cientistas da Universidade de Miami, nos Estados Unidos, eles observaram que, pessoas gentis têm uma maior produção de ocitocina, o hormônio do amor. Ele mantém a pressão arterial equilibrada, previne contra inflamações vasculares e protege o coração;

Ajuda a tratar a depressão: Um trabalho conduzido pela psicóloga Barbara Lee Fredrickson, do Laboratório de Emoções Positivas e Psicofisiologia da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, concluiu que pessoas gentis têm menos tendência ao isolamento, uma das características da depressão;

Reduz as dores do corpo: Um estudo clínico liderado pelo pesquisador Nigel Mathers, da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, mostrou que pacientes internados no hospital da instituição com dores musculares e de articulações, tiveram uma melhora significativa em seus quadros de saúde após se mostraram mais gentis com os profissionais que os atendiam. Ser gentil também libera endorfina, o "analgésico" natural, que equilibra o ritmo da respiração e bloqueia a dor;

Aumenta a expectativa de vida: Pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, concluíram que quem presta um serviço voluntário chega a viver até cinco anos a mais do que os demais. Outro, feito na Universidade da Califórnia, concluiu que praticar o voluntariado reduz em 44% a chance de morre cedo.