Egoísmo não garante melhores resultados

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Egoísmo não garante melhores resultados

Ciência mostra que egoistas não têm tantas vantagens profissionais quanto pensam


Perfil egoísta do funcionário não garante ascensão na empresa
Perfil egoísta do funcionário não garante ascensão na empresa - Pexels/Banco de imagens

Quem trabalha fora de casa já descobriu que a convivência é pautada pela diversidade e pessoas com suas caraterísticas particulares. Entretanto, quase todos dão a sua parcela para o bom clima organizacional e um ambiente colaborativo. Mas o que acontece quando o comportamento do profissional é egoísta? Isso acontece com frequência. "As decisões estão cada vez mais individuais, pautadas pela realização de um desejo imediato - 'o aqui e agora e para mim'. É o altruísmo, dando sempre lugar ao egoísmo e ganância", explica o consultor empresarial Uranio Bonoldi.

A ciência já comprovou que o comportamento individualista não traz impactos positivos no âmbito profissional. Um novo estudo feito por dois pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, rastreou pessoas desagradáveis, aquelas com personalidades egoístas, combativas e manipuladoras, e descobriram que ser um egoísta não avançava em sua carreira. E o pior, pode trazer prejuízo para as organizações. A pesquisa foi publicada no dia 31 de agosto no periódico científico norte-americano Proceedings of the National Academy of Sciences.

De uma maneira simples, o egoísmo nada mais é do que a valorização exagerada e/ou exclusiva dos próprios interesses em detrimento das necessidades dos outros. No entanto, o hábito se torna um problema quando o indivíduo prejudica o próximo para alcançar seus objetivos. "O egoísmo passa despercebido em relações superficiais, mas é facilmente sentido em relações íntimas sejam elas amorosa, de amizade, de trabalho ou familiar", explica a psicanalista Simone Demolinari.

O estudo

Os pesquisadores acompanharam voluntários em seus trabalhos ao longo de 14 anos. Para o estudo, eles consideraram como "desagradáveis" indivíduos que possuíssem algumas das seguintes características: falta de abertura a novas experiências, pouca conscientização, hostilidade, frieza, conduta neurótica, entre outras. Eles também perguntaram a seus colegas de trabalho sobre o comportamento e a posição no local de trabalho dos participantes do estudo. Nenhum tipo de egoísmo resultou em vantagens profissionais, nem mesmo nas culturas organizacionais mais radicais.

O fato de não trazer vantagens profissionais não significa, é claro, que indivíduos egoístas não chegam a posições de poder. Eles chegam, sim. O que o estudo aponta é que, de forma geral, eles não obtêm esses empregos mais rapidamente do que os que são colaborativos. Um dos autores, Cameron Anderson, professor de Berkeley, esclarece: "A má notícia é que as organizações colocam pessoas desagradáveis no comando com a mesma frequência que colocam as agradáveis. Em outras palavras, eles permitem que os idiotas ganhem poder na mesma proporção que qualquer outra pessoa, embora ter idiotas com muito poder possa causar sérios danos à organização", explica. Pessoas desagradáveis tendem a ser hostis e abusivas com os outros. "Enganar e manipular para seu próprio benefício e ignorar as preocupações ou o bem-estar dos outros."