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Gerenciamento correto da equipe garante que organizações passem por cenário incerto


Postura do líder é fundamental para gerenciar equipe em tempos de crise
Postura do líder é fundamental para gerenciar equipe em tempos de crise - Freepik/Banco de Imagens

O acirramento da competitividade deixou em evidência o papel da liderança para o sucesso das organizações. Neste contexto, é importante destacar que ser um verdadeiro líder não é sinônimo de dar ordens, mas saber organizar, delegar tarefas, tomar decisões acertadas e, especialmente, servir de inspiração, pois isso motiva e ajuda a reter os seus melhores talentos", explica a gestora empresarial Georgia Roncon.

A questão é: como gerenciar e, ao mesmo tempo, manter uma equipe durante períodos de crise? Se comandar pessoas em circunstâncias normais já não é uma tarefa simples, os períodos turbulentos podem abalar a confiança de muitos gestores experientes. "A missão do líder sempre enseja maiores responsabilidades do que qualquer outro membro do time. Afinal, é ele quem deve apontar os rumos certos e as diretrizes a serem seguidas para resultados bem-sucedidos. Diante de um período de crise, o peso de encontrar soluções eficientes e colocá-las em prática é ainda maior.

"As empresas que têm uma liderança mais equilibrada emocionalmente obtêm até 30% de resultados melhores, as lideranças que cuidam de sua saúde física têm até 70% de chance de passar por situações difíceis de maneira mais simples", explica o psicólogo Celso Braga, mestre em educação. "O gestor não pode esquecer que ele está no comando, e que é possível e aceitável delegar as funções, mas não é adequado entregar todo o processo nas mãos da equipe, por mais competente e confiável que ela seja. Portanto, esteja à frente e crie métodos que possibilitem dar visibilidade a todos os projetos em andamento", diz o consultor Ricardo Barbosa.

 

Efetividade na comunicação: Comunicação eficiente é uma competência primordial para os líderes, independentemente do momento em que a sua organização esteja passando — o sucesso de cada ação depende do nível de alinhamento dos diálogos. Em tempos de crise, a efetividade na comunicação do gestor requer ainda mais atenção. Isso porque, em primeiro lugar, é preciso conter possíveis descontroles emocionais para minimizar os impactos sobre a produtividade do time. Hoje, as informações circulam em uma velocidade muito grande e as pessoas se aproveitam para espalhar notícias falsas. Nesse cenário de incertezas e apreensão, o líder deve, entender os fatos e eventuais impactos sobre o seu negócio, traçar um plano de ações para enfrentar os obstáculos e, então, passá-lo para sua equipe;

Antecipação de conflitos: A postura vai fazer toda a diferença quando a organização passa por turbulências. Nessa fase, o descontrole da liderança pode acirrar conflitos, estimular disputas por poder, e isso acarreta um efeito bastante negativo no time — o bem coletivo deixa de ser uma prioridade e a desmotivação da equipe cresce. Quando o gestor tem o domínio do panorama da crise e possíveis impactos, eles conseguem antever algumas circunstâncias com potencial para gerar conflitos e agir de forma antecipada;

Inteligência emocional: Além das pressões econômicas naturalmente impostas pelas crises, é comum que nesses períodos o gestor tenha que lidar com críticas, acalmar os ânimos internos, entre outras atitudes que exigem uma inteligência emocional da sua parte. Um ambiente de ânimos acirrados, sem empatia, normalmente traz grandes prejuízos para a motivação dos funcionários. O controle das emoções do líder é uma das principais armas para ajudar a manter o equilíbrio interno e transmitir segurança. Isso também ajuda o gestor a enxergar as pessoas certas do time para auxiliar mais ostensivamente no combate ao problema;

Capacidade de manter a equipe equilibrada: Cada atitude do gestor será decisiva para o equilíbrio da equipe — desde a delegação de tarefas até as ações para reter os seus talentos. Se o líder perde o controle do gerenciamento da crise e o clima dentro da organização fica muito tenso, por exemplo, com dificuldades para o diálogo, além de se sentirem desmotivados, muitos profissionais competentes podem optar por abandonar a empresa.

Fonte: Georgia Roncon

 

Durante o enfrentamento de uma crise, a palavra-chave para superar, ou pelo menos reduzir as adversidades, é a criatividade — todas as medidas para imprimir um bom ritmo de produtividade são muito bem-vindas. "No caso do coronavírus, que exige um isolamento das pessoas e, consequentemente, alterar a rotina de trabalho nas empresas, não há outra alternativa a não ser a busca por ferramentas para dar continuidade na execução do máximo de tarefas possíveis", diz Georgia. O ideal é que o líder comece a se preparar para eventualidades antes que elas venham a acontecer, isto é, ter um plano de prevenção para os riscos que envolvem sua atividade, bem como as respectivas soluções caso o problema se instale. Graças aos avanços das tecnologias, hoje diversas funções podem ser realizadas remotamente, no home office, uma modalidade de trabalho que aumenta a cada dia e que certamente será uma das principais aliadas enquanto o coronavírus não for controlado. Porém, a maior dúvida talvez seja como gerenciar uma equipe e controlar o rendimento com esse tipo de trabalho. "Nesse contexto, o estabelecimento de metas claras pelo líder é o primeiro parâmetro para alcançar um bom fluxo da atividade", explica ainda.