Líder empático, empresa produtiva

Carreira

Líder empático, empresa produtiva

Gestores com maior nível de empatia alcançam resultados melhores


Liderança está ligada à capacidade de se colocar no lugar dos membros da equipe
Liderança está ligada à capacidade de se colocar no lugar dos membros da equipe - Freepik/Banco de imagens

O acirramento da competitividade no mercado transformado pela pandemia de Covid-19 deixou em evidência o papel da liderança para o sucesso das organizações. Os problemas surgem a todo momento e as soluções, mais do que nunca, têm de ser encontradas. "Nesse contexto, é importante destacar que ser um verdadeiro líder não é sinônimo de dar ordens, mas saber organizar, delegar tarefas, tomar decisões acertadas e, especialmente, servir de inspiração, pois isso motiva e ajuda a reter os seus melhores talentos", explica a gestora empresarial e de marketing Georgia Roncon.

Mas como gerenciar uma equipe durante períodos de crise como a atual, nunca vivida antes? Se comandar pessoas em circunstâncias normais já não é uma tarefa simples, os períodos turbulentos podem abalar a confiança de toda a equipe. A missão do líder sempre enseja maiores responsabilidades do que qualquer outro membro do time. Afinal, é ele quem deve apontar os rumos certos e as diretrizes a serem seguidas para resultados bem-sucedidos. Diante de um período de crise, o peso de encontrar soluções eficientes e colocá-las em prática é ainda maior. É aí que aparece uma habilidade simples, mas uma das mais importantes: a empatia.

Isso porque empatia é justamente isso: a capacidade de sentir o que o outro sentiria caso você estivesse na mesma situação vivida por ele. Em outras palavras, quer dizer buscar a compreensão dos sentimentos e das emoções alheias através de uma análise aprofundada e racional. Significa procurar entender os porquês. "Estamos falando do motivo pelo qual o seu colega não está produzindo como deveria, ou a razão pela qual o clima entre os funcionários não está bom. Isso significa dizer que, antes de traçar qualquer diagnóstico e sair fazendo julgamentos precipitados, é preciso dialogar e buscar a compreensão da realidade", explica o coach José Roberto Marques. O primeiro passo para isso é estar à disposição para ouvir o que os funcionários têm a dizer e se colocar em seus lugares, de modo a observar a situação a partir dos seus prismas.

"Foi-se o tempo em que ser um chefe autoritário, crítico e inflexível trazia boas métricas para as empresas. Hoje em dia, ocorre exatamente o oposto. Gestores com alto nível de empatia alcançam resultados melhores e conseguem reduzir de maneira exponencial a rotatividade, demissões e faltas ao trabalho", explica Thaísa Passos, gerente de marketing global.

Ouça o que eles têm a dizer

O primeiro passo para isso é estar à disposição para ouvir o que os colaboradores têm a dizer e se colocar no lugar deles, de modo a observar a situação a partir do ponto de vista de cada um. Liderar diz respeito, basicamente, aos outros. É estimular o próximo a agir além de suas habilidades, impondo novos desafios, com boa dose de inspiração. "Como líder, você deve se perguntar constantemente: minha equipe se sente confortável na minha presença? Será que sou visto como uma pessoa aberta ao diálogo e que trata as pessoas com humanidade, coerência e profissionalismo?", diz Thaísa. A empatia está, justamente, na base de todo esse processo porque permite que você saiba, de fato, se sua equipe está sendo impactada positivamente. E uma vez entendendo o outro, é possível prever os efeitos que suas decisões terão para, assim, criar estratégias eficientes.

Sem empatia é impossível formar laços embasados na confiança. Obter a lealdade das pessoas é consequência dessa capacidade fundamental na vida dos líderes. E, mais que isso, a falta desta habilidade pode acarretar problemas graves para uma empresa.

Capacidade pode ser aprendida

A boa notícia é que essa conexão tão importante pode ser trabalhada e aprendida. "Não é fácil praticar empatia em meio a uma rotina atribulada e cheia de pressões. Mas, basta querer, para notar as nuances da personalidade do outro e realizar mudanças que vão impactar em um bem maior, no qual todos ganham, líder e liderados", diz ainda Thaís.

Cria laços: Quando você se importa com outro, passa a existir um vínculo forte capaz de criar conexão com interesses e perspectivas das outras pessoas. Laços fortalecidos pela empatia se transformam em equipes poderosas;

Faz você ser presente: Como líder, você está no lugar de ouvir, entender, ajudar e apoiar. Não é tanto corrigir e responder, mas estar ali para permitir que o outro tenha o seu momento. Significa um aprendizado constante de paciência - o que em um ambiente de trabalho competitivo pode ser desafiador. Não será fácil, mas a recompensa por ajudar a buscar o melhor de cada um será grande;

Estimula a compreensão: Entender por que alguém sente, age ou pensa de determinada maneira é complexo. As pessoas geralmente reagem de modo inesperadas. Um líder empático deve ter como maior objetivo ouvir e tentar compreender, sem julgar ou fazer suposições;

Estimula o melhor lado das pessoas: Quando se trata de formar equipes e ganhar confiança, você precisa se interessar pelos profissionais, mostrar que se importa com eles. Ao fazer isso, você naturalmente estimula o potencial máximo de todos;

Faz ser comunicadores melhores: Cada ser humano é único e traz consigo vivências particulares.
Comunicar-se de maneira efetiva significa perceber e reconhecer estas diferenças, que se refletem nas
escolhas que fazemos e na maneira como percebemos o mundo;

Fica mais fácil liderar: A partir das experiências de entendimento sobre as pessoas, você conquista a confiança delas e passa a ter bagagem suficiente para conduzir melhor as suas decisões.

Fonte: Thaísa Passos, gerente de marketing global