SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SEXTA-FEIRA, 24 DE SETEMBRO DE 2021
EFEITOS DA PANDEMIA

Estresse causado pela pandemia da Covid-19 eleva fraturas de dentes

Consultórios odontológicos registram aumento de pacientes com dentes quebrados, bruxismo e disfunção da mandíbula ocasionados pelo estresse

Luciana VinhaPublicado em 11/01/2021 às 23:46Atualizado há 21/07/2021 às 14:27
teste (mobile)
teste (desktop)

Medo, insegurança, vulnerabilidade, preocupação, ansiedade e estresse são consequências emocionais ocasionadas pela pandemia que podem afetar a saúde bucal. O corpo sente os efeitos da tensão, e muitas vezes quem paga o preço são os dentes. Desconforto e barulhos estranhos ao abrir e fechar a boca e dores na cabeça e nos ouvidos são sinais de que está na hora de procurar um especialista.

Nos últimos meses, houve um aumento na demanda de atendimentos nos consultórios odontológicos motivados por pacientes com relatos de dor no maxilar e dentes quebrados. De acordo com o dentista Igor Beneti, especialista em cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial, a estimativa é de um acréscimo de 40% a mais em relação a um período normal, antes da pandemia, dos casos relacionados a bruxismo, DTM (disfunção da articulação temporomandibular) e dentes fraturados.

"Por conta do estresse e ansiedade, os pacientes acabam apertando ou rangendo os dentes com maior frequência, e isso pode ocasionar problemas bucais como a fratura dental. Os sintomas de alerta são mialgia (dores nos músculos faciais), crepitações (barulhos) ao mastigar, desvios na mandíbula, trismo (abertura limitada da boca), travamento da mandíbula com dificuldade de abertura de boca, dores de cabeça, dor na região auriculotemporal (ouvido), zumbido, entre outros sintomas", explica.

Outro relato feito pelo especialista é de que, além dos casos relacionados à ansiedade e ao estresse, houve ainda um aumento de pacientes já em tratamento que, após contrair o coronavírus, apresentaram piora no quadro de bruxismo e DTM, principalmente dores faciais, como sequelas da covid-19.

Estresse noturno

Para muitas pessoas, relaxar na hora de dormir pode não ser tarefa fácil, e com isso não conseguem se desligar e permanecem com os pensamentos em estado de alerta, elevando os níveis de ansiedade, fazendo com que, inconscientemente, ao adormecer, ocorra um ranger de dentes e apertamento da arcada dentária, conhecido como bruxismo, que pode causar fraturas e rachaduras nos dentes. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que 30% da população mundial e 40% dos brasileiros sofrem com esse problema.

Uma dica valiosa para ter uma noite de sono tranquila, segundo a psicóloga Beatriz Galetti, é controlar a quantidade e a qualidade de informações recebidas. "É extremamente importante evitar o excesso de informações, além de checar as fontes. Escolha somente um horário do dia para se atualizar de forma geral, e evite que seja durante a noite, pois isso pode atrapalhar a qualidade do sono e gerar ainda mais ansiedade", alerta.

No divã

Além do tratamento e acompanhamento dentário, em alguns casos pode ser fundamental procurar ajuda psicológica para resolver questões emocionais. "Nosso organismo é conectado por grandes feixes de nervos e músculos, e eles sempre sofrem com um emocional alterado. O ideal é que pessoas com esses problemas busquem ajuda na odontologia e na psicologia. Muita gente não sabe, mas o estado psicológico tem um papel fundamental em nosso sistema imunológico, portanto, tratar o nosso emocional é de grande importância para a nossa saúde como um todo, principalmente nesse momento de pandemia", orienta o psicólogo Júlio Gil.

"É compreensível pensar que estamos inseguros, com medo, ansiosos, já que nunca vivemos algo parecido antes, porém, a preocupação, o estresse, a ansiedade e o medo, quando sentidos de forma constante, podem levar a uma exaustão mental, além de afetar o nosso sistema imunológico. Nesses casos o acompanhamento psicológico se faz essencial, já que na terapia o indivíduo aprende a regular as emoções, entender melhor os pensamentos e como ter uma vida mais equilibrada emocionalmente", salienta Beatriz.

Sem medo do dentista

A pandemia fez com que as pessoas aumentassem os cuidados com a higiene e limpeza, mas, em contrapartida, muitas acabaram descuidando da saúde bucal por conta do medo de ir ao consultório e contrair o vírus.

O dentista Igor Beneti afirma que não há motivo para insegurança. "A odontologia brasileira é referencia mundial e todos os profissionais tiveram os cuidados de biossegurança reforçados e atualizados. E a grande prova da segurança dos atendimentos odontológicos é de que os dentistas foram os menos afetados pelo coronavírus entre os profissionais de saúde".

Ele ressalta que é importante visitar o dentista regularmente, principalmente durante a pandemia.  "Muitos pacientes, infelizmente, estão morrendo de problemas secundários durante as internações por covid-19. Às vezes a pessoa está curada do vírus, mas acaba indo a óbito, por exemplo, por conta de uma pneumonia, e o que muitos não sabem é que o foco de diversas complicações tem origem odontológica. Quando não há uma correta higienização dentária, o acumulo de tártaro pode ocasionar uma inflamação na gengiva, e com isso a imunidade é reduzida, tornando o tecido gengival mais propício à entrada de bactérias. Caso o paciente contraia o vírus e necessite ser entubado, o risco de desenvolver focos infecciosos na boca é maior, e consequentemente, aumenta em cerca de 30% as chances de infecções pulmonares graves", afirma.

O psicólogo Julio Gil, de Rio Preto (Divulgação)
O psicólogo Julio Gil, de Rio Preto (Divulgação)
A psicóloga Beatriz Galetti, de Rio Preto (Divulgação)
 
Copyright © - 2021 - Grupo Diário da Região.É proibida a reprodução do conteúdo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização.
Desenvolvido por
Distribuido por