SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUINTA-FEIRA, 07 DE JULHO DE 2022
RIO PRETO EM FOCO

A CADEIA PÚBLICA

Fundada em 1852, Rio Preto demorou a ter a primeira cadeia pública. Antes disso, presos eram transferidos para Jaboticabal ou ficavam acorrentados na sacristia da capela de São José

Cesar Belisario
Publicado em 05/04/2020 às 00:30Atualizado em 07/06/2021 às 04:06
Vista aérea em 1926, da praça Dom José Marcondes: cadeia ficava em frente a ela

Vista aérea em 1926, da praça Dom José Marcondes: cadeia ficava em frente a ela

Cidade fundada em 19 de março de 1852, Rio Preto demorou a ter uma Cadeia Pública. Somente no dia 1º de maio de 1895, o presidente da Câmara Municipal Coronel Pedro Amaral solicitou junto ao governo estadual uma verba de 30:000$000 (trinta contos de réis) para construir a primeira Cadeia Pública na cidade. A verba solicitada representava quase o triplo do Orçamento Municipal para aquele ano, que foi de 11:230$000 (onze contos, duzentos e trinta mil réis), conforma destaca o Dicionário Rio-pretense, na sua página nº 47.

Até 1880, os presos ficavam acorrentados na sacristia da Capela, onde hoje se encontra a Catedral de São José. Os mais perigosos, já com antecedentes criminais, deveriam ser levados a cavalo ou carro de boi até Jaboticabal, o qual a nossa Freguesia pertencia. Em 1º de julho de 1897, a Câmara Municipal autorizou o intendente (prefeito nomeado pela Câmara) Francisco Antônio Braga a comprar uma casa para a instalação da Cadeia Pública, mas só em 1909, o governo estadual liberou a verba, cuja a obra foi concluída em 1911. A casa escolhida foi a da rua Prudente de Moraes, esquina coma rua Voluntários de São Paulo, onde hoje é a sede dos Correios, de frente para a praça Dom José Marcondes.

Ela aparece imponente numa das primeiras fotos da cidade, tirada por um agrimensor da capital, datada aproximadamente de 1912 ou 1914. Até ali, a cidade ainda registrava poucas ocorrências e, segundo documentos do Estado, somente cinco pessoas morreram nesta época em todo vasto território do Município: três vítimas de homicídio, uma por queimadura e uma por velhice. A Cadeia funcionou neste prédio até 1924, quando foi construído um novo edifício, na esquina da rua Delegado Pinto de Toledo com a rua General Glicério, que foi logo apelidado de "Castelinho". O prédio passou a abrigar a Cadeia, a Delegacia de Polícia e o Fórum.

No final da década de 1950, o prédio foi desocupado com a transferência para a nova Cadeia Pública, construída na gestão do prefeito Alberto Andaló, na avenida América, atrás da geral do estádio Mário Alves Mendonça, do América, na Santa Cruz - o prédio, onde ficava a Central de Flagrantes, foi demolido recentemente.

Em 4 de setembro de 1976, foi inaugurada a Cadeia Pública Dr. Benjamin de Oliveira Abaade, mais conhecida como "Cadeião", na rua Fernandópolis 2.510, no bairro do Eldorado, na zona Norte da cidade. Com capacidade para abrigar 230 presidiários, a Cadeia chegou a ter quase o triplo de presos. Com o aumento do número de fugas e rebeliões, começou um movimento político para a desativação do "Cadeião", que ocorreu em 2002, na gestão do prefeito Edinho Araújo. Em 1987 a TV Globo Noroeste Paulista (hoje TV Tem) fez uma grande reportagem sobre o problema da AIDS no Cadeião de Rio Preto, entrevistando o diretor da época, Dr. Armando Cardoso Machado, o popular "Canela".

Cadeia na esquina das ruas Delegado Pinto de Toledo e General Glicério

Cela da cadeia pública no Eldorado

Posto Policial em 1914: poucos crimes na cidade na época

Cadeião do Eldorado, que tinha capacidade para 230 presos, mas chegou a receber quase o triplo

Parte interna do Cadeião, no Eldorado, onde hoje funciona a Fatec

 
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