As perdas da música rio-pretense em 2020

Rio Preto em Foco

As perdas da música rio-pretense em 2020

Coluna apresenta grandes nomes de Rio Preto e região que nos deixaram recentemente


Bruno Moreira, o Foca
Bruno Moreira, o Foca - Divulgação: Facebook

Que ano de 2020! Uma pandemia que assola o mundo, uma seca terrível e um triste momento para a nossa música. Perdemos grande músicos históricos e até da nova geração, como o jovem baterista Bruno Moreira, o "Foca", que morreu aos 34 anos, após ficar 15 dias internado, depois de um acidente com seu Fusca, na avenida Philadelpho Gouveia Neto.

Da velha guarda, os bateristas Ney Antônio Lima, que estava morando em Araçatuba, e Serginho. Ambos trabalharam por muitos anos no conjunto do Automóvel Clube. Outro foi o ex-radialista, repórter policial, representante comercial e cantor da noite Luiz Carlos dos Santos. Ele morreu de infarto, no dia 3 de março, aos 77 anos de idade.

E agora, nesta semana, mais dois gigantes: Valdevino Dias, o Vadeco, aos 83 anos (recentemente homenageado em nossa coluna) e o percussionista Geraldo Morales, o histórico "Cantinflas". O baterista Luizinho Ribeiro, que tocou com ele na orquestra de seu pai (maestro Luiz Carlos Ribeiro), a Tropical Brazilian Band, diz que nunca viu ninguém tocar bongo e maracas como Cantinflas. "Ele foi uma grande escola para mim". Outro que endossa é José Cunha, o "Mestre Boca": "o Cantinflas, antes de ser conhecido por aqui, viajou com um grupo de gringos. Então ele tinha que se virar. No meio dos papos do grupo, ele enrolava a língua para tentar se comunicar. E ficava, então, 'Pero-si Pero-no', muito engraçado e bem puxado para a pegada do ator mexicano Mário Moreno, o verdadeiro Cantinflas", diz Boca.

E com essas e outras ele acabou ganhando esse apelido, que o acompanhou até o final dos seus dias, nesta semana, aos 90 anos de idade. Cantinflas ficou muito conhecido em São Paulo por ser um exímio tocador de bongo e também no manejo das maracas, nunca visto igual. "O nome desse grupo era Príncipe Negro, que veio fazer uma temporada aqui em Rio Preto no Jussara Bar e ele acabou ficando. Existia aqui um baterista de São Paulo chamado Wilson Martins que trabalhou na Casa de Chá Luar de Agosto. Ele tirava sarro e botava apelido em todo mundo, inclusive o meu, Boqueira. Foi ele que sacramentou o apelido de Cantinflas no Geraldo Morales", diz Boca.

Depois Cantinflas entrou para Orquestra de Renato Peres e viajou por todo interior. "Um dia, entre 1956 e 1957, apareceram em Uchoa, minha terra natal, e eu fiquei alucinado. Quando começava o baile eu saía e subia no vitrô do clube para ver ele tocar. Que maravilha!", diz Boca. Posteriormente Cantinflas entrou para a Tropical Brazilian Band. Ele e seu fã, o agora incrível músico Mestre Boca, gravam juntos no histórico disco "25 anos de Mambo". Um momento único.