O baú dos cinemas Curti

Rio Preto em Foco

O baú dos cinemas Curti

Os Irmãos Curti tiveram diversos cinemas na região e foram sócios de tantos outros; há alguns anos, a família doou todo o seu rico acervo, incluindo os rolos de filmes, para o museu que estamos montando


Moviola do Museu da Imagem e do Som (MIS), que identificou os filmes
Moviola do Museu da Imagem e do Som (MIS), que identificou os filmes -

Os Irmãos Curti foram, sem dúvida, os maiores empreendedores de cinemas em todo interior do Estado. E começaram no início do século 1920, ainda em Taquaritinga, com o Colyseu Cinema e o Theatro Municipal. Em 1929, eles chegaram à cidade quando compraram o Phenix Cinema, atrás da Sociedade Cine-Teatral Paulista, deles, de Braz Cosentino e Nicola Udine. Mudaram o nome para Cine Capitólio.

Os irmãos Antônio Leopoldo Curti e Francisco Curti fixaram residência em Rio Preto e fundaram a maior rede de cinemas do interior paulista, chegando a ter 25 cinemas próprios e 46 em parcerias, entre eles o Cine São José, o Cine Rio Preto, o Cine São Paulo, o Cine Boa Vista, o Cine Ipiranga, o Cine São José 2, o Cine Teatro São Pedro, de Mirassol; o Cine Votuporanga, o Cine Jales, o Cine Olímpia, o Cine Capitólio 2, em 1976; o Cine Aquarius, primeiro e único auto cine da cidade, instalado nas margens da Represa Municipal, em 1976; e o Cine Curti, inaugurado em 1984, entre tantos e tantos.

Após o fechamento dos cinemas de rua da cidade, a Família Curti desativou o escritório, que ficava na rua Coronel Spínola, no Centro, e também o barracão depósito, na rua São João, na Boa Vista. Em 2013, recebi um telefonema da família dizendo que resolveram doar todo acervo para o museu que estamos montando há anos. Subi até o barracão com dois amigos e quando abrimos quase caímos de costas. Tinha rolos de filmes de 16 e 35 milímetros pra todo lado, além de cartazes de filmes e cartazetes, que ficavam expostos na vitrine de vidro dos cinemas, anunciando as próximas sessões. E muitos projetores.

Fizemos inúmeras viagens para levar tudo que fosse possível. Infelizmente os filmes já estavam fora das latas, que foram vendidas para um ferro velho. Precisei passar meses e meses colocando os filmes na moviola para a identificação de cada um. Mas valeu a pena. Achamos filmes preciosíssimos do cinema nacional, como "Nadando no Dinheiro", de Mazzaropi, "Brasília", de Alberto Cavalcanti, o documentário "Jorge Amado no Cinema", de 1977, de Glauber Rocha (uma das poucas cópias existentes no País), e até um raro filme de José Mojica sem encarnar o personagem Zé do Caixão: "Quando os Deuses Adormecem", que nem ele próprio tinha.

E ainda muitos cine jornais, como "Notícias da Metro", de 1945, "Canal 100", e "Hebert Richards na Tela", ambos das décadas de 1960 e 1970. Filmes estrangeiros também, como do "O Gordo e o Magro", "Os Três Patetas", "Tarzan", entre outros. Com a doação o MIS pode, de fato, consolidar-se como um museu de verdade. Obrigado eternamente à família Curti.