SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUINTA-FEIRA, 07 DE JULHO DE 2022
Rio Preto em Foco

O baú dos cinemas Curti

Os Irmãos Curti tiveram diversos cinemas na região e foram sócios de tantos outros; há alguns anos, a família doou todo o seu rico acervo, incluindo os rolos de filmes, para o museu que estamos montando

Millena Grigoleti
Publicado em 01/08/2020 às 19:18Atualizado em 06/06/2021 às 22:35
Moviola do Museu da Imagem e do Som (MIS), que identificou os filmes (Ricardo Boni)

Moviola do Museu da Imagem e do Som (MIS), que identificou os filmes (Ricardo Boni)

Os Irmãos Curti foram, sem dúvida, os maiores empreendedores de cinemas em todo interior do Estado. E começaram no início do século 1920, ainda em Taquaritinga, com o Colyseu Cinema e o Theatro Municipal. Em 1929, eles chegaram à cidade quando compraram o Phenix Cinema, atrás da Sociedade Cine-Teatral Paulista, deles, de Braz Cosentino e Nicola Udine. Mudaram o nome para Cine Capitólio.

Os irmãos Antônio Leopoldo Curti e Francisco Curti fixaram residência em Rio Preto e fundaram a maior rede de cinemas do interior paulista, chegando a ter 25 cinemas próprios e 46 em parcerias, entre eles o Cine São José, o Cine Rio Preto, o Cine São Paulo, o Cine Boa Vista, o Cine Ipiranga, o Cine São José 2, o Cine Teatro São Pedro, de Mirassol; o Cine Votuporanga, o Cine Jales, o Cine Olímpia, o Cine Capitólio 2, em 1976; o Cine Aquarius, primeiro e único auto cine da cidade, instalado nas margens da Represa Municipal, em 1976; e o Cine Curti, inaugurado em 1984, entre tantos e tantos.

Após o fechamento dos cinemas de rua da cidade, a Família Curti desativou o escritório, que ficava na rua Coronel Spínola, no Centro, e também o barracão depósito, na rua São João, na Boa Vista. Em 2013, recebi um telefonema da família dizendo que resolveram doar todo acervo para o museu que estamos montando há anos. Subi até o barracão com dois amigos e quando abrimos quase caímos de costas. Tinha rolos de filmes de 16 e 35 milímetros pra todo lado, além de cartazes de filmes e cartazetes, que ficavam expostos na vitrine de vidro dos cinemas, anunciando as próximas sessões. E muitos projetores.

Fizemos inúmeras viagens para levar tudo que fosse possível. Infelizmente os filmes já estavam fora das latas, que foram vendidas para um ferro velho. Precisei passar meses e meses colocando os filmes na moviola para a identificação de cada um. Mas valeu a pena. Achamos filmes preciosíssimos do cinema nacional, como "Nadando no Dinheiro", de Mazzaropi, "Brasília", de Alberto Cavalcanti, o documentário "Jorge Amado no Cinema", de 1977, de Glauber Rocha (uma das poucas cópias existentes no País), e até um raro filme de José Mojica sem encarnar o personagem Zé do Caixão: "Quando os Deuses Adormecem", que nem ele próprio tinha.

E ainda muitos cine jornais, como "Notícias da Metro", de 1945, "Canal 100", e "Hebert Richards na Tela", ambos das décadas de 1960 e 1970. Filmes estrangeiros também, como do "O Gordo e o Magro", "Os Três Patetas", "Tarzan", entre outros. Com a doação o MIS pode, de fato, consolidar-se como um museu de verdade. Obrigado eternamente à família Curti.

(Ricardo Boni)

(Ricardo Boni)

(Ricardo Boni)

Cartazete do filme 'Marcelino Pão e Vinho'r (Ricardo Boni)

Anúncio de estréia de filme no Cine Ipiranga (Fotos: Rio Preto em Foco)

Cartaz original do filme 'Eles não usam Black Tie' (Ricardo Boni)

Cartaz original do filme 'Macunaíma' (Ricardo Boni)

Cartazete de 'Tarzan' (Ricardo Boni)

Cartazete do filme 'Orfeu do Carnaval'r (Ricardo Boni)

Rolos de filmes dos irmãos Curti (Ricardo Boni)

 
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