SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUINTA-FEIRA, 07 DE JULHO DE 2022
Rio Preto em Foco

A criação do Museu de Arte Primitivista 'José Antônio da Silva'

Saiba como se deu a criação em Rio Preto do museu em homenagem ao artista, um expoente da arte primitivista. Neste domingo, fundação completa 40 anos

Bruno Ferro
Publicado em 18/07/2020 às 18:59Atualizado em 06/06/2021 às 23:39
Artista plástico Waldrix restaurando uma das obras

Artista plástico Waldrix restaurando uma das obras

Até o início da década de 1940, Rio Preto, praticamente, não existia no cenário cultural nacional. Não tínhamos ainda nem uma Casa de Cultura. Então, podemos considerar como o marco zero o descobrimento do pintor primitivista José Antônio da Silva, em 1946. Foi ele que mapeou Rio Preto no mundo das artes.

Nascido em Sales Oliveira, Silva viveu em Rio Preto, mesmo depois da fama, até 1976, quando se aposentou como diretor do Museu de Arte Contemporânea de Rio Preto (que funcionava nos fundos da Biblioteca Municipal, na rua Voluntários de São Paulo com a Saldanha Marinho), indo para São Paulo. Em agosto de 1979, com a efetivação do Comdephact e por iniciativa de Romildo Sant'Anna e Dinorath do Valle, foi aprovada a criação do MAP-Museu de Arte Primitivista José Antônio da Silva.

Romildo entrou em contato com o artista que, a princípio, não concordou com a criação do museu em seu nome, pois estava muito magoado com a cidade. Em novembro, Romildo trouxe de São Paulo e guardou em sua casa 43 quadros que estavam com Silva no seu apartamento. Trouxe também mais 15 quadros que compõem a série "Histórias de Rio Preto", que estavam abandonados no antigo MAC, fechado desde 1976, após a aposentadoria de Silva. Vários quadros precisaram trocar os chassis na Casa de Quadros Rineu, de Rio Preto.

Em dezembro, começaram as adaptações do prédio do Centro Cultural para abrigar o MAP. Silva, então, envia ofício manuscrito ao prefeito Adail Vettorazzo, no dia 2 de abril de 1980, exigindo que só faria a doação dos quadros (no valor de dois bilhões e oitocentos mil cruzeiros) se Romildo fosse nomeado diretor do MAP. De acordo, em junho os painéis foram instalados. Em 19 de julho de 1980, o Centro Cultural Daud Jorge Simão foi inaugurado, funcionando apenas o MAP.

Várias autoridades presentes, entre elas o prefeito Adail Vettorazzo, vereadores e o vice-governador José Maria Marin. Mas nenhum deles subiu no primeiro andar, onde se faria a inauguração do MAP. Alegaram "falta de tempo". No dia 25 de julho, houve uma segunda inauguração, mas sem a presença de nenhuma autoridade local.

Em 1997, o MAP foi desativado devido à enchente na antiga Praça Cívica. Os quadros foram depositados no subsolo do Teatro Municipal e Romildo foi chamado para reinaugurar o MAP. O artista plástico Walter Sanches Junior, o Waldrix, falecido em 2008, fez a restauração das obras. Em julho de 2012, o Museu muda-se para a rua Saldanha Marinho, esquina com Voluntários de São Paul, e recebe uma centena de escolas locais e visitas de turistas do Brasil e de outros países, tornando-se o um gigante na cultura da cidade.

Obras de José rAntonio da Silva

12. Volta dos quadros (Fotos: Romildo Sant'Anna)

Silva, em março rde 1980

Imagem da segunda inauguração rdo Museu, em 25 de julho de 1980

Romildo Sant'Anna e Silva com o primeiro logotipo rdo museu, rem 1980 (Reprodução: Romildo Sant'Anna)

Biblioteca Municipal na rua Voluntários com a Saldanha; ao lado, evento no MAP em 2012

Mudança dos quadros, em 2000

Em 1979, planejamento do futuro museu (Reprodução: Romildo Sant'Anna)

Romildo Sant'Anna em uma das palestras rno MAP

 
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