Rio Preto em Foco

A conversa de bar no tempo do nossos compositores

Show intitulado "Conversa de Bar" reuniu músicos e compositores que fazem parte da cultura rio-pretense


Músicos no show de lançamento do CD  Compositores de São José do Rio Preto, em 1994
Músicos no show de lançamento do CD Compositores de São José do Rio Preto, em 1994 - Reprodução

A primeira gravadora de Rio Preto foi de Murilo Toledo, que tinha sua sede na Galeria Bassitt e usava o selo Supersom, de São Paulo. Ele fez centenas de gravações de comerciais das lojas da cidade, como a "Casas Bueno", "Casas Pernambucanas" e "Casa dos 2.000 mil Réis", entre tantas. Gravou também músicas em homenagem ao América, ao Rio Preto e até o samba-enredo da Samba Cedrus, do Clube Monte Líbano, composta pelo médico Ângelo Soares, no início da década de 1970. Tudo em discos 78rpm.

Depois veio o estúdio do baterista Luizinho Ribeiro, no prédio no início da rua Pedro Amaral, na Vila Ercília, onde funcionou por décadas a L.Ribeiro Promoções Musicais, do seu pai, o maestro Luiz Carlos Ribeiro. Luizinho já gravava em fitas de rolo e muita gente gravou lá. Entre eles, a dupla "Valete & Valêncio", com seu som experimental denominado "Jazz Cai-pira". Eu mesmo fiz minhas primeiras gravações lá.

No início da década de 1990, o músico e agitador cultural Vicente Serroni e eu fundamos o primeiro selo da cidade: "Tempo Livre Discos e Produções". Iniciamos produzindo ainda em discos de Vinil. Os dois primeiros foram os meus discos: "Fernando Marques & Sandra Brito", de 1991 e "O Tom do Brasil", de 1994. Depois fizemos o disco "A Arte dos Compositores de Rio Preto", também de 1994, patrocinado pelo então deputado estadual Marcelo Gonçalves. A bolacha reuniu a rapaziada que compunha desde o final da década de 1970, como o próprio Vicente Serroni, Altino Bessa Marques Filho, José Celso Colturato Barbeiro, Emerson Martini e seu grupo Segunda Época, o Grupo Realejo, Jorge Bechara, Eli Buchala, Juninho Gente Fina, Paulo de Castro, Welson Tremura, Beto Carvalho e eu. Dinorath do Valle rasgou elogios na sua coluna no Diário da Região. Fizemos, então, dois shows intitulados "Conversa de Bar". Um no Teatro Municipal Humberto Sinibaldi e outro no Teatro do Sesc. Em ambos, caiu gente pelo ladrão. O pessoal chegava e ia para cima do palco tomar aperitivos com os compositores. Depois a plateia descia e o show começava. No fim, todos voltavam ao palco.

Uma festa só.

No ano seguinte o CD explodiu no mercado e nós entramos na onda. Gravamos o CD "Compositores de São José do Rio Preto", reunindo 25 compositores. Fizemos um novo show no Teatro Municipal que foi considerado uma das maiores lotações do Tetro, em todos os tempos. Fizemos também várias coletâneas de Festivais de Música e discos do pessoal da velha guarda, como Renato Perez, Os Modernistas, Antônio Neto e José Rastelli. Produzimos, até hoje, mais de 200 discos e chegamos mais longe com o CD "Anonimato", reunindo compositores de outras regiões, como Osni Ribeiro, de Botucatu, Rodolfo Dartan, de Ribeirão Preto, Rick Saulo, de Rio Casca, Minas Gerais e Flávio Sorriso, de Santa Cruz do Rio Pardo.