SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | DOMINGO, 26 DE SETEMBRO DE 2021
PAINEL DE IDEIAS

Refúgios da alma

As peças cinematográficas e televisivas são, também, excelentes formas de se distanciar da realidade, com roteiros leves, românticos, surpreendentes, encontrados em filmes ou em sua série preferida

Francine MorenoPublicado em 22/05/2021 às 00:30Atualizado há 05/06/2021 às 23:34
Prof. Dr. João Paulo Vani, rPresidente da Academia rBrasileira de Escritores (Abresc)  (Divulgação)

Prof. Dr. João Paulo Vani, rPresidente da Academia rBrasileira de Escritores (Abresc) (Divulgação)

Para Sérgio Vicente Motta, com a mais profunda reverência.

As escrituras sagradas nos lembram, no livro de Eclesiastes, que sempre haverá um momento oportuno para cada propósito debaixo do céu. Essa passagem nos faz refletir sobre a verdadeira guerra sanitária que estamos vivendo, ao final da qual teremos, novamente, tempos de paz.

Entretanto, nessa jornada em que a pandemia nos parece interminável, é fundamental para a nossa saúde emocional encontrar pequenos refúgios cotidianos para a nossa alma; pequenos temperos que nos permitam viver, por instantes, a leveza que merecemos.

Nietzsche, filósofo alemão, nos revela sua perspectiva de que "sem música, a vida seria um erro", e essa é, sem dúvida, uma boa guarida contra a angústia: o campo das artes.

Por definição, arte é a expressão capaz de transmitir ideias, sentimentos, crenças ou emoções, que serão reconhecidas como belas pela sociedade. E essa percepção do belo, identificada em tantos meios e nas mais diferentes linguagens, catalisa sensações ocultas e nos permite experimentar a singeleza tão necessária nos dias atuais.

Termos a possibilidade, ao final de uma semana atribulada, de poder buscar aconchego no "canto" preferido da casa, ligar uma música que tenha significado em sua vida e relaxar é um exercício revigorante. As músicas clássicas, com suas rápidas mudanças, altos e baixos, ajudam a florescer uma comoção às vezes necessária; as músicas relaxantes ajudam aqueles que precisam dormir e não conseguem; as músicas populares, em doces vozes como Edith Piaf e Marisa Monte, fazem o coração bater mais forte ao acender em nossas mentes lembranças inesquecíveis ao lado de quem amamos.

As peças cinematográficas e televisivas são, também, excelentes formas de se distanciar da realidade, com roteiros leves, românticos, surpreendentes, encontrados em filmes ou em sua série preferida. Os resultados das produções, cada vez mais tecnológicas, nos fazem rir ou chorar, permitindo que, por algum tempo, a Covid-19 fique de lado. Assim são também artes plásticas e fotografia, cuja representação pictórica e congelada, seja do "mundo todo" ou de seu "mundo particular", abrem portas para as memórias afetivas e saudade, para análises do espaço social, e até mesmo dos espaços mitológico ou simbólico.

Sobre os livros... bem! Os livros nos dão força em meio ao caos; esses encantadores objetos de capa coloridas, com universos inteiros escondidos em suas linhas, têm sido fundamentais em minha jornada. O aprendizado que biografias e obras históricas revelam; a força de personagens fictícios incrivelmente reais e a sabedoria popular que carregam; a magia de um mundo novo, com magos, fadas e vilões sobrenaturais ou em distopias mais próximas do que gostaríamos de acreditar. Ler nos ajuda a aceitar a falha natureza humana e nos dá redenção.

Em tempos sombrios, como os atuais, penso que somente a arte seja capaz de nos fortalecer, de nos ajudar a manter a sanidade para chegarmos, inteiros, ao final dessa árdua travessia pandêmica.

Prof. Dr. João Paulo Vani

Presidente da Academia Brasileira de Escritores (Abresc). Escreve quinzenalmente neste espaço aos sábados

 
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