SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | DOMINGO, 26 DE SETEMBRO DE 2021
Painel de Ideias

Ode à minha mãe

Com a maturidade, percebi que ter sido filho de uma adolescente de 18 anos aguçou minha percepção sobre o papel e a presença feminina em minha vida, sobretudo pelo lugar importante que a minha própria mãe ocupa

Francine MorenoPublicado em 07/05/2021 às 19:48Atualizado há 06/06/2021 às 00:12
Com a maturidade, percebi que ter sido filho de uma adolescente de 18 anos aguçou minha percepção sobre o papel e a presença feminina em minha vida, sobretudo pelo lugar importante que a minha própria mãe ocupa ( )

Com a maturidade, percebi que ter sido filho de uma adolescente de 18 anos aguçou minha percepção sobre o papel e a presença feminina em minha vida, sobretudo pelo lugar importante que a minha própria mãe ocupa ( )

O Dia das Mães sempre me deixa feliz. Sempre com grande expectativa, ao longo de minha infância celebrei minha mãe em peças teatrais e jograis, e hoje escrevo para ela, em uma homenagem a todas as mães. Com sons e aromas próprios, muitos decibéis e calorias, esse era um dia de muita alegria em minha casa: tendo sempre morado com meus avós, nossa casa acolhia os nove filhos e os 22 netos que iam festejar com a nonna.

Com a maturidade, percebi que ter sido filho de uma adolescente de 18 anos aguçou minha percepção sobre o papel e a presença feminina em minha vida, sobretudo pelo lugar importante que a minha própria mãe ocupa. Confesso que, ao longo desses 41 anos, muitas vezes me peguei pensando na confusão que devia ser a cabeça daquela menina, que consciente de sua gravidez, e apavorada com a possibilidade de ser descoberta em sua condição, sequer comprou uma única fralda para me esperar, pois acreditava que, com a minha chegada, seria obrigada a deixar sua casa e seus amados, renegada pelos seus, tendo de iniciar uma vida que, felizmente, somente existiu em seus pesadelos.

Com o apoio de sua família, a menina virou gente grande, e a necessidade de assumir o papel de provedora trouxe ausências duramente sentidas. Mas ao dividir com a sua mãe os meus cuidados, a dona Filó acabou me dando a oportunidade de ter, então, duas mães: a nova, que me deu a vida, e a velha, dona Leonor, que junto ao meu avô, Jarbas, me ensinaram a vivê-la.

O suporte da rede de relacionamentos de minha mãe a amparou e orientou. Do salão saíram, desde fraldas, até a mentoria educacional da dona Maria Luísa, a quem serei eternamente grato; o enorme apoio da professora Maria Dalva; as orientações da professora Giséle, minha "mãe" acadêmica; o carinho da dona Ana e da dona Amelinha, que a mim confiaram livros e sonhos; o amor da "tia" Beth, que virou família, e tantos outros presentes que, pelas mãos de minha mãe, a vida me deu.

Minha mãe tem estado presente em minha trajetória acadêmica: me viu ser orador na oitava série, no terceiro colegial, na faculdade; dançou valsa comigo, formando da Unesp, uma semana após ela completar 40 anos; na chegada do diploma do MBA, na defesa do Mestrado. Ela também estava lá quando fiz a descoberta tardia e tranquila do amor da minha vida.

Ao lado de sua amada norinha, que faz questão de mimar e paparicar, minha mãe se fortaleceu em minha ausência durante o tempo em que vivi no exterior por compromissos dos estudos; juntas, Débora e minha mãe estavam no esvaziado auditório em minha defesa de doutorado, e no movimentado lançamento de meu primeiro livro, com olhos brilhando pelas minhas conquistas; juntas também me orientam na contínua construção de nossa família. Ao somarem, tornaram meu mundo melhor.

Mãe é acolhida, é alicerce, é abrigo, diante de tantas despedidas, me sinto privilegiado, pois tenho minha mãe ao meu lado em mais um Dia das Mães, torcendo pela sua vez na fila da vacina, para podermos, mais tranquilos, seguir adiante. Com amor, João.

Prof. Dr. João Paulo Vani, Presidente da Academia Brasileira de Escritores (Abresc). Escreve quinzenalmente neste espaço aos sábados

 
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