Do que é feito um jornal

Painel de Ideias

Do que é feito um jornal

O Diário, com sua linha editorial neutra e plural, constitui-se numa referência quanto à informação bem fundamentada, de qualidade, ética e segura. Mais do que um grupo jornalístico, tornou-se uma instituição da cidade e da região


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Não há escapatória: não importa o que faça, o jornal sempre sofrerá críticas. Sua independência não consegue amenizar o incômodo. Acredito até que piora a situação. O jornal pode ser rotulado como governista pela oposição, de oposição pelos governistas. De direita pela esquerda e de esquerda pela direita. Carrega a sina de pensar na coletividade, ainda que aja na individualidade dos leitores.

Embora não tenha a velocidade e instantaneidade dos meios eletrônicos possui uma credibilidade que estes não possuem. Ambos são importantes e não excludentes, mas cada um tem seu próprio peso. Pode-se pensar ingenuamente que as redes são um espaço democrático e igualitário. O anonimato, a manipulação da distribuição de mensagens, a radicalização cada vez maior de grupos de interesse e sua impermeabilidade ao pensamento divergente indicam o contrário. O jornal acolhe articulistas de correntes diferentes.

O jornal é a voz das forças vivas da sociedade. Narra o efêmero. Seus repórteres e colunistas lavram as atas do cotidiano. Informam. Interpretam. Prestam serviços. Constroem a cidadania. Levam a voz do povo até os ouvidos do poder. Transportam as decisões do poder até o povo. Os leitores esperam que o jornal traga organizado em suas colunas, os fatos e opiniões que nos meios eletrônicos circulam de forma caótica, anárquica, atemporal e sem compromisso com a responsabilidade.

O jornal é essencial para o equilíbrio da sociedade. A construção da sociedade tem repouso nos pilares da democracia. Esta, por sua vez, se consolida nas colunas do jornal. A responsabilidade dos jornalistas é muito maior do que eles mesmos imaginam. O jornal não forma opinião. Quem o faz são seus jornalistas e articulistas. Jornais tem a missão de defender a liberdade e buscar a verdade. Não dá para imaginar uma democracia consolidada sem eles.

O Diário da Região sempre carregou as responsabilidades descritas nos parágrafos anteriores. Uma história erguida com mais de 20 mil edições impressas. Sempre digo que um jornal constrói uma comunidade em torno de si. A do Diário é composta por seu conselho editorial, jornalistas, colunistas, funcionários, distribuidores, mais de 33 mil usuários por dia na versão impressa e mais de um milhão por mês no site do Diário.

O Diário, com sua linha editorial neutra e plural, constitui-se numa referência quanto à informação bem fundamentada, de qualidade, ética e segura. Mais do que um grupo jornalístico, tornou-se uma instituição da cidade e da região.

Quanto a mim e o Diário, passamos por vários estágios. Comecei como leitor de banca quando cheguei a Rio Preto, em 1982. Tornei-me assinante desde 1984. Recebi o honroso convite para compor seu quadro de articulistas desde 2015. Obrigado por me incluir nesta história! Parabéns pelos seus 70 anos.

TOUFIC ANBAR NETO, Médico cirurgião, diretor da Faceres, escritor e membro da Academia Rio-pretense de Letras e Cultura (Arlec). Escreve quinzenalmente neste espaço às quartas-feiras