O retorno à escola

ARTIGO

O retorno à escola

Escalonar os jovens a virem em dias alternados com regime a distância me parece mais viável neste momento pandêmico


Sérgio Cimerman, infectologista
Sérgio Cimerman, infectologista - Divulgação

Um tema que tem monopolizado atenções é o retorno às aulas, tanto no ensino público quanto no privado. Segundo dados do governo paulista, são 12,3 milhões de alunos da educação infantil até o sistema profissionalizante e mais de 1 milhão de professores. As crianças aparentemente são menos afetadas pela covid-19 quando comparadas aos adultos.

Vale lembrar que em qualquer idade podem surgir casos, sendo que a prevalência, ao redor do mundo, de testes positivos, está entre 1% e 5%. A transmissão das crianças para outros indivíduos ainda não está esclarecida e frequentemente os casos são brandos, não requerendo internação. Baseados nessas assertivas nos indagamos a toda hora: e o retorno às aulas?

Em que época será o mais correto? Dúvidas como estas permeiam o mundo todo e já há experiências internacionais e recomendações que provavelmente teremos de copiar e incorporar em nossas futuras recomendações. Lições aprendidas, de países como Israel, Alemanha, Japão, China e Dinamarca podem ser colocadas em prática por aqui. A que me parece mais bem delineada é a do Centro de Controle de Doenças (CDC), dos EUA, que publicou em junho orientações que merecem a atenção de educadores e pais. Preferencialmente a opção pelo sistema a distância, regime já adotado desde o início da pandemia.

Mas vamos partir da premissa de que seja verdade que a situação em algumas localidades está melhorando. Vejamos, como exemplo, a cidade de São Paulo, que está em fase de platô com risco de transmissão (R0) < 1. Definimos o reinício das aulas presenciais no início de setembro. Segundo informações do governo do Estado, no sistema público as salas terão apenas 35% de ocupação. E no sistema privado devera imperar situação semelhante. Como base, evitar aglomeração será fundamental.

Como proceder? Evitando intervalos conjuntos de várias salas de aula e alimentação em cantina das escolas. E na sala de aula, como fazer?

Escalonar os jovens a virem em dias alternados com regime a distância me parece mais viável neste momento pandêmico. Inserir uma barreira mecânica de vidro ou acrílico entre as carteiras escolares, por exemplo, a fim de manter o distanciamento preconizado, é uma solução também para maximizar a quantidade de alunos na sala e tentar eliminar o sistema à distância.

Preferencialmente convém deixar janelas e portas abertas para entrada de ar com maior frequência. Vejam que há muitas dúvidas e receios. Na entrada da escola, aferir temperatura de modo global pode ser eficaz para detectar casos que passaram desapercebidos pelos pais. Estes têm papel fundamental em informar a escola caso alguém na família seja um caso positivo para que medidas de testagem possam se feitas entre os escolares mais próximos.

É preciso prestar atenção em muitos detalhes para manter a proteção dos escolares. Como também exigir que o uso da máscara seja obrigatório e oferecer álcool em gel a 70% em salas de aulas e em outros ambientes da escola. Outro ponto, a desinfecção de superfícies, antes da entrada e na saída dos alunos. E estes também devem realizar o procedimento e evitar manusear objetos.

São tantas as situações que, num primeiro momento, parecem difíceis, mas que depois vão sendo incorporadas a rotina de todos. No sistema privado o transporte escolar é outro foco de atenção. Caso a opção recaia nas peruas se deve manter vidros abertos e ao menos um aluno pulando um acento e sem conversas paralelas. Atentem que são enormes as dificuldades neste retorno mesmo que programado, gradual e contencioso. Mas devemos ir ajustando as situações conforme aparecem e resolvendo com bastante sapiência e resiliência em tempos de covid-19. Bom retorno às aulas!!!!

Sérgio Cimerman, Coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia