Painel de Ideias

Como será o amanhã?

Dizem ainda que terá lugar no mercado de trabalho quem conseguir se adaptar ao mundo conectado, com aulas e cursos online que vão do ensino fundamental à yoga. E também quem tiver organização e disciplina suficientes para combinar uma rotina de atividades domésticas


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Embora não tenhamos essa capacidade - com exceção de poucos seres humanos agraciados com o dom - desde que o mundo é mundo se tenta descobrir o que nos espera além do dia que estamos vivendo. Ao longo da história, milhares de pessoas utilizaram artifícios para isso, o que fez com que cada cultura desenvolvesse seu próprio oráculo para (pelo menos tentar) desvendar o que viria a seguir.

Acontece que, mesmo com tanto empenho e curiosidade, ainda não existe ciência ou tecnologia que possa desvendar o futuro e, por isso, a pergunta que se consagrou num famoso samba-enredo do final de década de 70 - O Amanhã - segue sem uma resposta concreta.

Prova disso é que jamais imaginaríamos que, dezenas de carnavais depois desse sucesso musical, estaríamos passando por uma pandemia que nos obrigaria a mudar completamente a maneira como vivemos, nos relacionamos e nos comunicamos.

Ainda assim, para responder à pergunta-título deste texto, teorias não faltam. Há quem diga que a comunicação nunca mais será a mesma.

Um exemplo é que se antes, profissionais gabaritados precisavam enfrentar horas de voo para expor seu conhecimento sobre determinado assunto em terras estrangeiras, durante a pandemia esse tipo de conexão tem sido feito remotamente, com palestrantes e espectadores em suas respectivas casas, recebendo o mesmíssimo conteúdo que receberiam presencialmente.

Se antes quase não falávamos com amigos considerados distantes pela localidade ou pelo tempo, com a pandemia, quando uma certa saudade crônica parece ter se instalado em nossos corações, talvez retomemos os antigos contatos e os vejamos com mais frequência.

Se antes ostentar era luxo e sinônimo de influência, especialistas acreditam que no pós-Covid-19, só importará aos consumidores quem realmente tem assuntos relevantes e que gerem identificação - afinal, pra que se ornamentar com grifes internacionais se não podemos nem sair de casa?!

Outro ponto: já que estamos tendo a oportunidade de exercitar as qualidades necessárias para ter uma convivência harmoniosa no lar em que estamos confinados, no futuro as relações familiares talvez sejam bem mais saudáveis e livres de atritos. Além disso, é bem provável que cada vez mais se percam os receios de expressar sentimentos, já que agora, sem gestos e muito contato físico, estamos falando mais aquilo que passa em nossas mentes e nosso peito.

Dizem ainda que terá lugar no mercado de trabalho quem conseguir se adaptar ao mundo conectado, com aulas e cursos online que vão do ensino fundamental à yoga. E também quem tiver organização e disciplina suficientes para combinar uma rotina de atividades domésticas, com as demandas familiares e o home office.

Talvez estejam certos aqueles que preveem que nada será como antes e que precisamos aproveitar cada dia como se uma pandemia fosse decretada amanhã: dando valor a quem pensa e trabalha para auxiliar o próximo, quem tem compaixão, solidariedade e amor para dar.

Porque se as teorias estão certas, não há como saber. A única certeza é que o amanhã virá, e cabe a nós estarmos preparados para enfrentá-lo, seja da maneira que for.

PATRÍCIA ANDRIK, Jornalista em Rio Preto. Escreve quinzenalmente neste espaço aos sábados