Painel de Ideias

O futuro é agora

Mais do que nunca, as empresas precisam entender seu papel nas ações de sobrevivência individual e responsabilidade social. É o momento de rever os valores e entender como é possível ter um impacto positivo na vida de todos


Adriana Neves
Adriana Neves - Divulgação

Talvez porque não tem sido fácil enfrentar o dia a dia, me pego questionando e pensando no futuro. Acredito que todos já tenham cantado, mesmo que mentalmente, aquele famoso samba-enredo que pergunta: "Como será amanhã? Responda quem puder. O que irá me acontecer?". Todos nós já sentimos os impactos causados pela pandemia, seja pelos dados sobre contágio, tratamento e lamentáveis mortes, seja pela economia, especialmente em renda, situações de desemprego e natural vocação de crescimento. Atualmente, a maioria das empresas está trabalhando para minimizar o prejuízo, focando mais no gerenciamento da crise do que imaginando o futuro.

Mas se o futuro bate à nossa porta, que tal imaginar como será o "novo normal"? Que tal pensar e quem sabe definir as implicações de como uma empresa deveria se reinventar e redesenhar estratégias e operações?

Chamam-me atenção a divulgação de "gatilhos culturais" que devem ter resultados marcantes na sociedade. Alguns deles já estão bem claros. Por exemplo: Muitos precisaram adaptar seus lares para a rotina de trabalho e estudo; as pessoas estão tentando reproduzir experiências externas dentro de suas casas; com mais tempo no lar e o orçamento apertado, estamos mais dispostas a testar novos hábitos e criar produtos e soluções; consumidores que não estavam acostumados a usar serviços digitais tiveram seu primeiro contato com o e-commerce; pessoas foram convidadas a apoiar a produção local; a crise nos estimulou a pensar coletivamente.

Levando em consideração os novos conceitos e comportamentos, as empresas devem se preparar para a criação e aperfeiçoamento de plataformas digitais de trabalho, experiencias de "faça você mesmo" e exercícios laborais domésticos. Devem acelerar a informatização. Devem criar e/ou aprimorar os serviços de venda online e mecanismos de entrega, tornar o contato digital mais atraente, simplificado, didático e assertivo. Se a valorização da produção local deve ganhar força como fator de compra, deve-se aprimorar a comunicação tornando perceptível que empresas "daqui" geram emprego, renda e pagam impostos "aqui". Dessa maneira, todos se transformam e todos ganham!

Mais do que nunca, as empresas precisam entender seu papel nas ações de sobrevivência individual e responsabilidade social. É o momento de rever os valores e entender como é possível ter um impacto positivo na vida de todos. A consciência dos novos comportamentos que surgiram durante a crise deve se manter no pós-pandemia. O mundo será outro, por isso repensemos o propósito das empresas e de nossas vidas.

Aquela frase, que dizem ser de Darwin, soa bem para este momento: "As espécies que sobrevivem não são as espécies mais fortes, nem as mais inteligentes, e sim aquelas que se adaptam melhor às mudanças".

ADRIANA NEVES, Empresária em Rio Preto. Escreve quinzenalmente neste espaço às quintas-feiras