SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUARTA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2021
Editorial

Educação cambaleante

Se 91% dos estudantes não conseguem aprender matemática, o erro vai além da dificuldade individual

Fabricio Carareto
Publicado em 05/04/2021 às 22:35Atualizado em 06/06/2021 às 09:43
Se 91% dos estudantes não conseguem aprender matemática, o erro vai além da dificuldade individual (Reprodução)

Se 91% dos estudantes não conseguem aprender matemática, o erro vai além da dificuldade individual (Reprodução)

Nenhuma tragédia ocorre de forma isolada, são necessários vários fatores para que ela ocorra. Tomemos por exemplo a Covid. Em primeira análise, o culpado é o próprio coronavírus, que é o agente patogênico. Mas outros fatores precisam existir para que a pandemia se imponha: falta de isolamento social adequado, pouco caso das normas sanitárias, hospitais sem leitos e respiradores, ações ambíguas do poder público, ausência de vacina e por aí vai.

Na educação não é diferente. Reportagem de sexta-feira, 2, do Diário revela que apenas 9% dos alunos da rede pública de Rio Preto terminam o ensino médio com o conhecimento adequado em matemática. Quase metade sequer aprendeu o básico na disciplina.

Em português, a falta de aprendizado é menor, mas também preocupa, já que 57% deixam o ensino médio sem o conhecimento adequado.

As estatísticas são trágicas para educação, mas podem ainda piorar. Os dados consideram o resultado da Prova Brasil 2019, antes da pandemia. As estatísticas da Prova Brasil 2020, que deverão ser divulgadas apenas no início de 2022, vão incluir a situação de estudantes que encontram ainda mais dificuldades no ensino por não terem tido acesso à internet e às aulas remotas.

A primeira pergunta que se faz diante deste cenário é: de quem é a culpa? Assim como a pandemia não tomou a atual proporção única e exclusivamente por conta de um vírus, o péssimo desempenho não deve ser jogado nas costas dos estudantes. Se 91% deles não conseguem aprender matemática, o erro está também no conteúdo programático e na formação dos próprios professores, entre outros fatores.

Para a professora doutora da Unesp de Rio Preto Ana Paula dos Santos Malheiros, por exemplo, a matemática ainda é vista como algo muito distante da realidade dos estudantes. Na opinião do diretor adjunto do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), Claudio Landim, o problema está também na formação dos educadores. Já o coordenador de pesquisas do Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), Vinícius de Moraes, afirma que o déficit de professores da área de exatas contribui para o baixo desempenho dos alunos.

Esses são apenas alguns dos vários diagnósticos sobre os motivos da baixa qualidade do ensino no País. Não existe apenas um único fator assim como não existe solução mágica. Os dados levantados pela Prova Brasil são fundamentais para que se conheça a realidade educacional, mas de nada adianta medir algo se não são elaboradas ferramentas para alterar essa situação. Cabe ao Estado medir, avaliar e agir. Ficar estagnado no primeiro estágio não serve para absolutamente nada.

 
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