O dilema do ensino

Editorial

O dilema do ensino

O ensino presencial e o remoto serão complementares por pelo menos mais um ano


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Editorial - Reprodução

Na única escola estadual de Rio Preto que reabriu depois de seis meses fechada devido à pandemia, a presença dos alunos foi pequena. Mesmo com todos os cuidados adotados pela direção, como oferecer álcool gel e manter o distanciamento nas salas de aula, a volta foi tímida, cercada de receio e incertezas.

A discussão sobre a retomada da vida escolar é uma das maiores preocupações de pais, professores e poder público. É um tema recorrente, justamente porque indefinido e cercado de opiniões divergentes mesmo de especialistas. O ano letivo está praticamente no fim, levado aos trancos e barrancos por meio de aulas virtuais às quais boa parte dos estudantes não tem acesso, além de dificuldades enfrentadas pelos próprios professores.

Como a reabertura das escolas é facultativa, dependendo do quadro da pandemia em cada município, constata-se a falta de uniformidade nas decisões. Por exemplo, na região de Rio Preto pelo menos 38 cidades já decidiram que o ensino infantil, voltado aos alunos de 4 a 6 anos de idade, só retornará em 2021. No ensino superior, faculdades também estão divididas. No ensino médio, como se viu, apenas uma escola estadual reabriu na cidade.

Nesse cenário, uma resolução do Conselho Nacional de Educação estendeu a permissão das atividades remotas para o ensino básico e superior nas redes pública e particular até o fim de 2021, um ano a mais que o período de duração do decreto federal que estabeleceu estado de calamidade pública devido à pandemia. Universidades e faculdades poderão reorganizar currículos e estão autorizadas a substituir todas as aulas presenciais pelo ensino remoto. Os critérios de avaliação e promoção dos estudantes ficarão a cargo das Secretarias de Educação e instituições de ensino.

Todas essas medidas indicam um caminho: o ensino presencial e o remoto serão complementares por pelo menos mais um ano. Além disso, todas as decisões tomadas até o momento devem ser vistas como tentativas de encontrar caminhos para resolver uma situação que não tem uma resposta única e pronta. O desafio é planejar a volta à normalidade dentro de um cenário absolutamente atípico.

O medo do contágio pela Covid determina os rumos da política educacional, o que deve ainda perdurar por um bom tempo.