Golpe contra o verde

Editorial

Golpe contra o verde

É preciso ação em várias frentes. Na prevenção, na fiscalização e no combate incessante às queimadas


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Editorial - Reprodução

Os moradores de Rio Preto respiram, há semanas, um ar que está entre os mais poluídos do Estado, segundo as medições da Cetesb, devido às queimadas urbanas clandestinas. As imagens do fogo consumindo vegetação nativa e de replantio, afugentando e matando animais silvestres chocam e representam um golpe duríssimo para o meio ambiente da cidade e da região. Só na área do antigo IPA, onde hoje estão localizados o Instituto Florestal, o Instituto da Pesca, a Estação Ecológica e a Floresta Estadual do Noroeste Paulista, incêndios destruíram aproximadamente 500 hectares, segundo balanço do Comitê Gestor de Prevenção e Combate às Queimadas da Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Os números escancaram a destruição. Segundo a secretária do Meio Ambiente, Kátia Penteado, de 106 mil mudas plantadas em 13 áreas diferentes, 76 mil foram perdidas. Infelizmente, as queimadas são registradas quase que diariamente em diversos pontos da cidade.

A situação é tão grave que o Ministério Público decidiu abrir inquérito para apurar responsabilidades pelo incêndio no local. O promotor Sérgio Clementino está colhendo informações com órgãos ambientais e instituições para averiguar o caso.

Segundo a Cetesb, a Companhia Ambiental do Estado, a média de poluentes finos (MP 2,5) na atmosfera nesta segunda-feira foi de 81 microgramas por metro cúbico de ar, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece o limite de 25 microgramas. Os riscos à saúde são evidentes, já que tais partículas poluentes podem provocar problemas respiratórios, agravar sintomas da asma, inflamação dos pulmões e câncer. Somadas às queimadas, a baixa umidade do ar e a falta de chuva agravam ainda mais o quadro. A fumaça é tanta que é possível "ver" o ar que se respira na cidade. Mesmo com todo o trabalho e esforço do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, da ajuda de caminhões-pipa de usinas, da Polícia Ambiental e de voluntários, os focos de incêndio não cessam.

É preciso ação em várias frentes. Na prevenção, na fiscalização e no combate incessante às queimadas, fenômeno, aliás, registrado em várias partes do Brasil, como está acontecendo no Pantanal. Não só pelo futuro, mas principalmente pelo presente, é preciso dar um basta às queimadas criminosas.