A volta

Editorial

A volta

Este é um tema que preocupa pais, professores, educadores e poder público porque contém muito mais dúvidas do que certezas


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Editorial - Reprodução

Se havia alguma dúvida sobre a posição de pais ou responsáveis em relação ao retorno das atividades escolares presenciais ainda em 2020, o resultado da pesquisa feita pela Secretaria Municipal da Educação de Rio Preto deixou clara a rejeição à proposta.

O levantamento foi feito pela internet e teve a participação de 15.446 pessoas, compreendendo um total de 19.591 alunos da rede municipal de ensino (em vários casos, há mais de um aluno por família). A conclusão é que 74,9% dos pais ou responsáveis rejeitam a volta às aulas presenciais neste ano, contra 25,1% favoráveis ao retorno. Compreensivelmente, 82,2% dos pesquisados apontaram o medo de contágio pelo novo coronavírus como principal motivo para a rejeição ao retorno às escolas. Na rede municipal, o público predominante é de crianças entre 0 a 10 anos de idade.

Este é um tema que preocupa pais, professores, educadores e poder público porque contém muito mais dúvidas do que certezas, por mais que todos estejam engajados na elaboração de protocolos de segurança para as crianças. A infância desconhece barreiras para a sociabilidade, para a amizade, o contato. O uso de máscaras durante todo o tempo das aulas também é um aspecto a ser levado em conta, além dos cuidados com a saúde de professores e funcionários dos estabelecimentos de ensino. Segundo dados da Secretaria Estadual da Educação, apenas na Diretoria de Ensino de Rio Preto, 130 professores têm mais de 60 anos, ou seja, pertencem ao grupo de risco para Covid.

No trabalho feito em Rio Preto, constatou-se também que 67,9% dos alunos conseguiram participar das aulas e das atividades remotas oferecidas, o que não ocorreu com 4,4%, ou 673 estudantes; e 27,7% acompanharam apenas parcialmente. O principal motivo apurado pela pesquisa foi a falta de tempo da família para auxiliar. Problemas com o equipamento ou a falta dele foi a causa apontada por 17,4% dos pais. Eis dois aspectos que devem ser analisados com muita atenção por parte das autoridades. As aulas virtuais expuseram a imensa desigualdade social no Brasil. Milhares de alunos não conseguiram acompanhar as aulas simplesmente porque não têm acesso à internet ou um telefone celular ou não podem contar com a ajuda da família, pelos mais variados motivos.

Os resultados de todas as pesquisas feitas até o momento mostram uma grande e natural preocupação dos pais com a saúde de seus filhos, uma indicação de que a volta às aulas presenciais talvez seja o maior desafio na retomada das atividades.