Ação contra o abuso

Editorial

Ação contra o abuso

É preciso que o governo fique atento e se mexa, cobre explicações, adote medidas econômicas que barrem os aumentos


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Editorial - Reprodução

A Secretaria Nacional do Consumidor, que faz parte do Ministério da Justiça, cobrou explicações de supermercados e produtores sobre o aumento dos preços dos produtos que compõem a cesta básica, como arroz, feijão, leite. Ao mesmo tempo em que o Ministério da Justiça questionava os aumentos, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, anunciava a suspensão do Imposto de Importação sobre o arroz para facilitar a compra e, assim, provocar queda de preços. Tal providência contou com o apoio do ministro da Economia, Paulo Guedes. A ideia deles é deixar para o mercado a regulação natural de preços.

Mas a ação adotada pela Secretaria de Defesa do Consumidor, segundo analistas econômicos, pode sinalizar que o governo estuda o tabelamento de preços, como foi feito no governo Sarney e que, embora parecesse uma solução, revelou-se um fracasso retumbante, levando o país à hiperinflação dos anos 1980 e 1990.

Muitos analistas econômicos alertam para o risco de alta da inflação nos próximos meses, caso os preços sigam nessa espiral ascendente. Que o diga a dona de casa, que leva um susto a cada ida ao supermercado. Segundo o IBGE, os preços da gasolina e, principalmente, dos alimentos voltaram a pressionar o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Ampliado), índice oficial que mede a inflação, que fechou em 0,24% em agosto, o maior para este mês desde 2016. Ainda assim, a inflação no período de 12 meses está em 2,44%, abaixo da meta estipulada pelo Banco Central, de 2,50%. Porém, o consumidor brasileiro sabe que todo cuidado é pouco quando se refere à disparada de preços. Os aumentos nos itens básicos prejudicam principalmente as famílias de baixa renda, ainda mais em um momento de desemprego em alta. Eis a maior e mais grave consequência. Segundo o IBGE, o grupo alimentos e bebidas registrou alta de 0,78% no mês de agosto, superior, portanto, ao IPCA. No ano, a alta acumulada é de 4,91%.

O arroz, o vilão da hora, acumula alta de 19,25% no ano, 3,08% só em agosto. É suficiente para ligar todos os sinais de alerta.

Diante desses números, é preciso que o governo fique atento e se mexa, cobre explicações, adote medidas econômicas que barrem os aumentos abusivos e proteja o orçamento das famílias, especialmente em um momento extremamente delicado, em meio ao combate à pandemia, ao desemprego e à queda na renda dos brasileiros.