O baque na educação

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O baque na educação

Os países seguirão enfrentando uma redução significativa na economia, mesmo que as escolas voltem imediatamente às atividades normais


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Editorial - Reprodução

Um estudo feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) jogou luz em um dos efeitos mais duros provocados pela pandemia do novo coronavírus em todo o mundo. A principal constatação é de que a suspensão das atividades escolares, em função da pandemia, provocará impactos na economia mundial que podem durar até o final do século e levar a uma perda neste período de, em média, 1,5% na economia global.

Segundo os economistas envolvidos neste trabalho, esse efeito não será notado no curto prazo, mas ao longo do tempo. E o motivo é que a perda ou o atraso no aprendizado levará a um déficit de habilidades que, afinal, têm relação direta com a produtividade.

No Brasil, desde março as escolas interromperam as aulas e demais atividades presenciais para reduzir o risco de contágio pelo coronavírus. Em muitos países, o mesmo procedimento foi adotado, mas o estudo chama a atenção para o fato de que, aqui, o tempo de paralisação foi maior. Os estudiosos afirmam que, se as escolas demorarem para retomar o desempenho de antes da pandemia, a perda financeira será proporcionalmente maior. Usando os Estados Unidos como exemplo, o estudo aponta que se a pandemia levar a uma redução de um décimo no padrão de habilidades dos alunos, a perda econômica será de 15,3 trilhões de dólares (ou impressionantes R$ 81,5 trilhões em valores atuais). Não é difícil imaginar a dimensão do problema. Conclusão óbvia: os países seguirão enfrentando uma redução significativa na economia, mesmo que as escolas voltem imediatamente às atividades normais.

O estudo avalia, portanto, o impacto econômico. Porém, há outros fatores que, segundo educadores e economistas, também devem ser colocados sob análise. A suspensão das atividades presenciais e a introdução das aulas online expuseram a desigualdade social, principalmente no Brasil, onde boa parte dos alunos não têm acesso à internet.

Além disso, para a retomada das aulas é preciso tomar todos os cuidados para preservar a saúde de estudantes, professores e funcionários dos estabelecimentos de ensino.

No Estado de São Paulo, seguindo os critérios do Plano SP, as aulas voltaram em 128 municípios. Em Rio Preto e região, poderá haver o retorno depois de pelo menos 28 dias de permanência na fase amarela e se houver queda no número de casos e de mortes.

Mas sabe-se que o retorno será dentro de um contexto totalmente diferente. Há um caminho ainda desconhecido a ser percorrido pelo mundo no pós-pandemia. Desafios não faltarão.