Cesta básica

Editorial

Cesta básica

O importante é que haja diálogo, negociação e, sobretudo, bom senso entre governo, indústria, fornecedores e supermercados


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Editorial - Reprodução

Os sucessivos aumentos nos preços dos produtos da cesta básica, como feijão, arroz, leite e óleo de soja, que tiveram reajustes de 20% nos últimos 12 meses, representam uma agressão ao já combalido orçamento das famílias brasileiras, situação agravada pela pandemia e suas consequências, como perda do emprego, redução de jornada e de salário. Esses produtos compõem a cesta básica do brasileiro, isto é, são itens essenciais na dieta diária da população. Isso sem contar a alta do preço do quilo da carne.

Segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), em agosto os preços dos alimentos básicos subiram em 13 das 17 capitais pesquisadas. Em São Paulo, a cesta básica teve alta de 2,9%. Ainda segundo Instituto, o trabalhador que recebe um salário mínimo por mês comprometeu em agosto 48,85% de sua renda líquida para comprar os alimentos básicos. Em julho, esse gasto foi de 48,26%.

Os supermercados alegam que estão sofrendo reajustes generalizados repassados pela indústria e pelos fornecedores, mas que têm negociado redução de preços e estão oferecendo opções de substituição dos produtos que sofreram as maiores elevações.

A opinião consensual entre governo e representantes do setor supermercadista é que a pandemia tem influência nessa alta desequilibrada e acelerada dos preços. A liberação do auxílio emergencial de R$ 600, que será agora de R$ 300, colocou mais dinheiro na praça ao elevar razoavelmente o consumo. Uma soma de fatores pode ter provocado toda essa elevação. Dólar em alta, consumo maior por parte da China, preços valorizados em reais estimularam as exportações de milho e soja, principalmente, o que gerou forte impacto nos preços da cesta básica aqui.

Nesta sexta-feira, em visita ao Vale do Ribeira, o presidente Bolsonaro falou sobre o assunto e pediu "patriotismo" ao setor varejista para evitar a alta da cesta básica, mas disse que não vai interferir. Palavras do presidente: "não é no grito, ninguém vai dar canetada em lugar nenhum". De fato, intervencionismo estatal na lei da oferta e da demanda trouxe mais problemas do que solução no Brasil. Há que se recordar do Plano Cruzado no governo Sarney, em 1986, um conjunto de medidas para estabilizar a economia e combater a inflação. A principal marca do plano foi o congelamento de preços. Funcionou no início, mas revelou-se um verdadeiro desastre meses depois, provocando hiperinflação.

O importante é que haja diálogo, negociação e, sobretudo, bom senso entre governo, indústria, fornecedores e supermercados para barrar os aumentos abusivos e evitar que o consumidor final, vítima compulsória do efeito cascata, mais uma vez, pague esta conta, cada vez mais salgada.