Antídoto contra crise

Editorial

Antídoto contra crise

Não há como prever retomada econômica sólida com a Covid ainda fazendo milhares de vítimas no País


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Editorial - Reprodução

Pesquisa do IBGE constatou o que empresários e trabalhadores já sentem no dia a dia desde março, início da pandemia: a maioria dos 2,8 milhões de empresas em atividade no Brasil teve dificuldades para realizar pagamentos na segunda quinzena de junho e quase metade delas adiou a quitação de impostos para honrar outros compromissos.

Para 52,9% das empresas pesquisadas foi difícil manter a capacidade de pagamento de despesas correntes, e 43,9% deixaram de recolher impostos, o que representa um baque fortíssimo nas contas públicas. Outro dado do levantamento é que empresários estão adiando a abertura de novos negócios diante das incertezas e dificuldades. Ou seja: além da quebradeira, não há empresas novas para absorver a mão de obra. Um pesadelo dentro de um sonho ruim.

Tem-se, assim, um retrato da realidade que assombra a atividade econômica brasileira. Projeções de economistas do mercado financeiro estimam retração de 6,50% no Produto Interno Bruto brasileiro em 2020. O FMI vai mais longe e calcula uma retração de 9,1%. Evidentemente, a crise provocada pelo coronavírus afetou fortemente a economia global. Nos Estados Unidos, por exemplo, o tombo no PIB pode chegar a 8%, segundo as estimativas. Segundo o estudo, o cenário constatado em junho tende a ser pior em julho, cujos números ainda não foram levantados. As projeções são preocupantes porque, segundo os técnicos, não há como prever retomada econômica sólida com a Covid ainda fazendo milhares de vítimas no País, diariamente.

No Brasil, cuja economia tradicionalmente avança lentamente, as consequências de uma crise dessas proporções são muito mais graves e terão um efeito negativo em cascata durante muito tempo, mesmo depois do fim da pandemia. Já temos um índice de desemprego assustador, com milhões de brasileiros que se mantêm apenas com os R$ 600 do auxílio emergencial do governo federal e, como mostra o IBGE, empresas que lutam desesperadamente para sobreviver.

É preciso que haja um amplo debate que envolva o setor empresarial, trabalhadores e governo para compor um plano de recuperação econômica e de empregos. Um antídoto contra a crise. Não se pode postergar decisões tão urgentes que ajudem a salvar empresas e preservar empregos. Economia e saúde, definitivamente, não são excludentes. Esta é uma discussão ultrapassada e inútil diante de tamanha crise econômica e humanitária.