Fogo e meio ambiente

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Fogo e meio ambiente

O grande desafio de um País que tem o agronegócio como âncora econômica há anos é produzir sem destruir


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Editorial - Reprodução

A imagem é conhecida e sufocante. A fumaça escura toma o azul do céu, a fuligem invade o chão das casas, o ar fica irrespirável. Situação familiar em todo o País e que Rio Preto, todo ano, tem que suportar. As queimadas ilegais representam uma violência ambiental absurda. Técnica agrícola primitiva, sobrevive porque é simples e barata. Queima-se a cobertura vegetal para abrir espaço para pastagem ou substituir culturas, como ocorreu com a onipresente cana-de-açúcar na região. Para muitos agricultores, as cinzas das queimadas servem até de fertilizante para o solo.

Porém, os danos ambientais são incalculáveis. Queimadas fazem parte de um elenco de agressões ao meio ambiente, como desmatamento para a retirada de madeira e uso de pesticidas agrícolas fora das especificações técnicas, e têm consequências muito danosas ao bioma. Seus efeitos colaterais podem ser vistos de longe, com a piora da qualidade do ar e a devastação da vida animal. Nos centros urbanos, é cada vez mais comum a invasão de animais silvestres perdidos, fora de seu habitat, fugindo do fogo.

O grande desafio de um País que tem o agronegócio como âncora econômica há anos é produzir sem destruir.

A produção agrícola brasileira, que abastece boa parte do mundo, merece uma política pública consequente, permanente e que induza o desenvolvimento sustentável. Nesse aspecto, o governo Bolsonaro mostra-se incoerente, para dizer o mínimo. Tem uma ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que defende com firmeza o agronegócio e também o meio ambiente, por considerar que é possível produzir sem aumentar o desmatamento e a destruição dos ecossistemas, discurso afinado com o pensamento mundial. E tem um ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que, depois de muitas trapalhadas, perdeu totalmente a capacidade de interlocução com movimentos ambientalistas do Brasil e do mundo. Mais preocupado em "passar a boiada" da desregulamentação ambiental, Salles faz uma gestão desastrosa, que está prejudicando o Brasil.

Neste momento, a Câmara dos Deputados prepara uma agenda de votações de projetos ligados à área do meio ambiente. É urgente a apresentação de uma pauta positiva neste setor fundamental para a economia e para a qualidade de vida. O Brasil, com uma vastidão de áreas verdes, precisa ser uma referência mundial em produção agrícola poderosa e em meio ambiente respeitado.