Consciência coletiva

Editorial

Consciência coletiva

Os números de casos confirmados e de mortes não param de subir. É um momento extremamente delicado para Rio Preto


Editorial
Editorial - Reprodução

O combate à Covid-19 não é uma questão de opinião ou gosto pessoal. Eis a constatação necessária, mas que, pelo visto, é desprezada por quem se acredita imune ao vírus e resolve desobedecer todas as orientações feitas pelas autoridades de saúde.

Senão, vejamos: em Rio Preto, em apenas um fim de semana, a Guarda Civil Municipal e a Vigilância Sanitária receberam 259 denúncias de aglomerações, comércio funcionando irregularmente e festas clandestinas. Desse total, treze estabelecimentos foram autuados. Nesse balanço não entram as ocorrências registradas anteriormente, mas, analisando somente sexta, sábado e domingo passados, temos um quadro de profundo desprezo pela prevenção a uma doença que já ceifou a vida de 216 rio-pretenses, número confirmado até a redação deste editorial.

Insista-se no fato de que simplesmente não resolve um grupo majoritário de pessoas seguir as recomendações, quando uma outra parte da cidade prefere debochar ou ignorar o uso de máscara, do álcool gel, do distanciamento social. A fiscalização deve ser mais rigorosa com quem desrespeita as regras, dando de ombros para a vida dos pacientes internados e dos profissionais de saúde que se arriscam diariamente nos hospitais. Há casos em que a GCM chega, acaba com a festa, que é retomada imediatamente após a saída dos guardas. Mesmo diante do decreto que fechou supermercados e a venda de bebidas alcoólicas no fim de semana, não há dificuldade em comprar o que for preciso para promover uma festa. Quanta desfaçatez e falta de ética. Chega. Rio Preto precisa reagir contra essa falta de consideração e punir esses péssimos cidadãos que se acham acima da lei e invulneráveis. Não estão a prejudicar apenas a própria saúde. É pior, pois colocam a vida das demais pessoas em risco. O vírus está circulando. Esta falta de consciência representa o freio que impede a cidade de melhorar as estatísticas sobre a doença e avançar de fase no Plano SP.

Os números de casos confirmados e de mortes não param de subir. É um momento extremamente delicado para Rio Preto. É preciso dizer com clareza que o pior ainda não passou. Não podemos relaxar. O cidadão não pode fazer de conta que segue as recomendações médicas e as autoridades municipais não podem fazer de conta que fiscalizam e punem, dentro da lei. O coronavírus é implacável, aprendemos essa lição com a dor da perda de milhares de vidas ao redor do mundo.

Ou há consciência coletiva ou iremos padecer ainda por muito tempo contando vítimas da Covid.