Sinal de alerta

Editorial

Sinal de alerta

O excesso de velocidade representou, só no primeiro trimestre do ano, 54% do total de infrações na cidade


Editorial
Editorial - Reprodução

Os números revelados no estudo publicado na edição de domingo do Diário comprovam aquilo que intuitivamente os motoristas que se arriscam nas ruas da cidade sentem cotidianamente: o trânsito de Rio Preto é muito violento.

O levantamento foi feito pelo Núcleo de Estudos de Segurança no Trânsito do Departamento de Engenharia de Transportes da Escola de Engenharia de São Carlos (USP) em parceria com a Fatec e Universidade Federal de São Carlos. A publicação "Mortalidade no trânsito nos municípios paulistas com mais de 200 mil habitantes" apresenta o desempenho da segurança viária em 26 cidades. Os critérios foram as taxas de acidentalidade ou mortalidade em relação a população, frota ou quilometragem percorrida.

Rio Preto tem uma das maiores frotas do País, com 86 veículos para cada cem habitantes, segundo o Denatran. O excesso de velocidade representou, só no primeiro trimestre do ano, 54% do total de infrações registradas na cidade. Velocidade, imprudência, direção agressiva, desrespeito às leis de trânsito. Esses fatores, tão comuns em ruas e avenidas da maior cidade da região noroeste do Estado, levaram Rio Preto a registrar, na média dos últimos três anos, a maior taxa de mortalidade (9,75%) a cada cem mil habitantes. Rio Preto é seguida por Franca, com 9,24% e Praia Grande, 9,17%.

O comportamento no trânsito rio-pretense deixa muito a desejar, mesmo que imprudências e infrações sejam cometidas por uma minoria, pois mesmo um contingente reduzido de motoristas pode deixar um rastro de acidentes graves, feridos ou mortos.

Motoristas de carros e pilotos de motos que não respeitam o sinal vermelho, não ligam a seta para sinalizar a direção, queimam a faixa de pedestre, fazem ultrapassagens arriscadas e abusam da velocidade dão um péssimo exemplo, além de colocar vidas - a própria e a dos outros - em risco. Pior ainda é a falta de consciência de quem insiste em beber e dirigir.

O poder público, que precisa permanentemente melhorar a mobilidade urbana, e a população, com um comportamento civilizado, têm muita responsabilidade para mudarem esse quadro.

Não é apenas em Rio Preto que o trânsito precisa ser humanizado e corrigido. Esse é um triste fenômeno visto na grande maioria dos municípios brasileiros, onde carros viram armas em vez de apenas um meio de transporte.

É preciso um movimento urgente envolvendo a sociedade civil e os poderes públicos para tornar o trânsito nas nossas cidades mais civilizado e menos letal.