Mobilização

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Nos 102 municípios do DRS (Departamento Regional da Saúde), a taxa de ocupação de leitos chega a 79%


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Editorial - Reprodução

A notícia de que o Hospital de Base de Rio Preto suspendeu a realização de transplantes de pulmão, rim e córneas, por tempo indeterminado, se insere no elenco de medias preventivas no combate incessante ao coronavírus. É uma decisão dura, sem dúvida, que afeta muita gente que está na fila à espera de um órgão. Mas é preciso que se interprete tal medida à luz do trabalho incessante dos profissionais de saúde para evitar que o sistema de saúde de Rio Preto fique ainda mais sobrecarregado do que está.

A cidade, há várias semanas, está por um fio para regredir de fase no Plano SP de enfrentamento ao coronavírus. Mantém-se na fase 2, a de cor laranja, sob risco permanente de regredir para a fase 1, vermelha, a mais restritiva, mesmo diante do aumento exponencial no número de casos e de óbitos. Essa permanência se deve ao trabalho coordenado pelo secretário de Saúde, Aldenis Borim, que busca aumentar consideravelmente o número de leitos disponíveis para dar assistência aos pacientes diagnosticados com Covid. A UPA Jaguaré, por exemplo, recebeu adaptações e hoje conta com trinta leitos exclusivamente para atendimento aos pacientes com a doença, além dos dez leitos abertos por meio de convênio com o Hospital de Jaci. Nos 102 municípios do DRS (Departamento Regional da Saúde), a taxa de ocupação de leitos chega a 79%. Estamos no limite.

O combate à Covid afeta diretamente os profissionais da saúde. São 1.054 casos confirmados da doença entre esses trabalhadores, 15% do total de infectados na cidade. O quadro torna-se mais preocupante quando lembramos que nessa estatística não entram os casos suspeitos, o que eleva ainda mais o contingente de médicos, enfermeiros e auxiliares contaminados.

Os profissionais afastados devem, claro, ser substituídos por outros, para que o atendimento não sofra nenhum tipo de paralisação ou intercorrência. Médicos e demais profissionais da área de transplantes foram deslocados para dar suporte e completar o quadro de profissionais que se dedicam, dia e noite, a atender pacientes internados. Além disso, a recuperação de um paciente que sofreu transplante, procedimento extremamente delicado, requer cuidados específicos, prolongados. A interrupção dos transplantes, neste momento, segundo os médicos, serve para preservar a saúde dos transplantados.

Enfim, a suspensão, mesmo que temporária, da realização de transplantes em Rio Preto, referência nacional neste tipo de cirurgia, é uma demonstração de que o combate ao coronavírus está longe de terminar e exige toda a mobilização possível.