Desrespeito

EDITORIAL

Desrespeito

O negacionismo cobra seu preço em vidas


Editorial
Editorial - Reprodução

Rio Preto teve mais um fim de semana de desrespeito às regras determinadas pela Prefeitura e pelo governo do Estado para tentar conter o avanço do coronavírus. Pelas ruas, muita gente ignorando olimpicamente a recomendação de isolamento social e, para piorar, sem máscara de proteção.

Na madrugada de domingo, a Guarda Civil Municipal flagrou - e encerrou - uma festa em um bufê com mais de 40 pessoas, a maioria sem máscara.

No combate à Covid, que cresce assustadoramente na cidade, como mostram os números divulgados pela Secretaria da Saúde, o bem coletivo se sobrepõe às vontades individuais. A pessoa que se recusa a usar máscara na rua estará, certamente, colocando em risco a saúde de outras. Não é uma questão de opção pessoal, é uma recomendação médica para que todos se protejam do contágio.

Não é a primeira aglomeração registrada pela GCM em Rio Preto, infelizmente. Houve outras festas clandestinas, num sinal de que ainda há grupos que não se importam com o coronavírus e seu potencial extremamente rápido de disseminação. Mesmo os crescentes números diários de vítimas parecem não surtir efeito nessas franjas da sociedade que não se importam em se arriscar.

Mas, pelo País afora, exemplos de falta de empatia, consciência e solidariedade não faltaram neste fim de semana. O destaque negativo fica por conta do desembargador Eduardo Siqueira, do Tribunal de Justiça, que ao caminhar pela orla da praia de Santos sem máscara, foi parado pela guarda local. Em vez de admitir o erro, o magistrado, do alto de sua arrogância, chamou o guarda de analfabeto, ligou para um suposto superior hierárquico do agente e, para coroar o espetáculo de prepotência, rasgou a multa que lhe foi justamente aplicada. E mais: jogou o papel na via pública.

O Tribunal de Justiça e o Conselho Nacional de Justiça já estão apurando o caso. Evidentemente, não se pode confundir as atitudes inadmissíveis do desembargador com o Poder Judiciário como um todo, mas espera-se que o comportamento tão abjeto não fique impune. Temos ainda no Brasil, e particularmente em Rio Preto, um longo caminho a seguir para evitar mais contaminações e mortes pela Covid.

E certamente não será com essa tamanha falta de bom senso que conseguiremos superar momento tão dramático e grave na saúde pública do País. O negacionismo cobra seu preço em vidas.