Moderação

Editorial

Moderação

Em entrevistas, o novo ministro adiantou que vai buscar a construção de projetos e realizar uma gestão integrada


Editorial
Editorial - Reprodução

Depois de escolher dois ministros que simplesmente envergonharam a história do MEC, o presidente Bolsonaro aparentemente optou pela escolha de um moderado para assumir a dura missão de zelar pela educação brasileira, o professor Carlos Decotelli.

O primeiro, Ricardo Vélez Rodrigues, foi um retumbante fiasco. Sem apresentar um único plano consistente na área, gastou seu tempo proferindo bobagens em série, como a de que os brasileiros, no exterior, "são uns canibais, roubam coisas de hotéis". Sua passagem pelo Ministério foi tão improdutiva que hoje ninguém mais se lembra desse senhor, recolhido em merecido anonimato.

Abraham Weintraub dispensa comentários. Além de nada fazer, atrapalhou o governo, atacou instituições, agrediu países amigos, destilou veneno ideológico por todos os cantos. O abraço constrangido e forçado do presidente em seu ministro, no anúncio da demissão, dá a dimensão do constrangimento causado por Weintraub, que saiu do País rumo aos Estados Unidos numa viagem que ainda merece esclarecimentos por parte do governo. Boquirroto e inconsequente, Weintraub, hoje alvo de investigação, queimou todas as pontes de diálogo com a sociedade civil e entidades educacionais. Um desastre. Não vai deixar saudades, muito pelo contrário. Sua saída foi um alívio para todos os que zelam pela melhoria do nível educacional brasileiro, em todos os sentidos.

O novo ministro, de 67 anos, tem um currículo consistente e é tido como conciliador. Oficial da reserva da Marinha, bacharel em Ciências Econômicas, Mestre pela FGV e ex-presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). É o primeiro negro a assumir um Ministério no governo Bolsonaro. Consta que Decotelli foi indicado pela ala militar do governo, preocupado com a falta de rumo na Educação e a ausência de entendimento com as entidades representativas do setor. Em entrevistas, o novo ministro adiantou que vai buscar a construção de projetos e realizar uma gestão integrada.

As reações à sua nomeação misturaram ceticismo e críticas à sua suposta ligação com o mercado financeiro, pois já trabalhou com o ministro da Economia, Paulo Guedes, no Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais.

O ministro tem pela frente a retomada das aulas em meio à pandemia e a reconstrução da credibilidade do Enem. Além disso, o novo ministro deve acompanhar a discussão no Congresso da proposta de Emenda Constitucional que torna o Fundeb permanente, pois sua vigência atual termina dia 30 de dezembro deste ano.

O mais importante neste primeiro momento é a sinalização de que, agora, o MEC terá à frente um ministro que conhece a sala de aula e que se comprometeu em buscar o entendimento. A Educação brasileira, em frangalhos, merece verdadeiramente ser tratada como prioridade, não como estorvo. A conferir.